sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tempos Modernos

É tentador se aventurar aqui a comentar os assuntos polêmicos da temporada, eles se sucedem de tal maneira que fica difícil acompanhar, mas dão bons cliques.
Na realidade, o que se sobressai de tudo isto é como se toma como verdade pra si algo que nem se deu ao trabalho de ler. Veja, falo de assumir como verdade pessoal e individual.
E se compartilha, se muda avatar em rede social, escreve textão, se repete com absoluta convicção aquilo que os outros repetem, no entanto, sem entender de fato do que se trata.
E isto é bem mais perigoso do que se pensa, fora ilustrar uma sociedade que não pensa, mas age por manada.
Dois jovem próximos foram associados à crimes que não cometeram, tiveram suas fotos e redes sociais compartilhadas e sofreram ameaças das mais variadas, um deles estava somente levando currículo para uma loja e teve a infelicidade de cumprimentar um dos "bandidos" de verdade, que por acaso conhecia de vista.
Anos atrás, bem antes da existência de internet e redes sociais, tivemos o caso da Escola Base, em São Paulo (me corrijam se algum dado estiver errado), onde um boato fez crer que os proprietários eram pedófilos, lembrando que os alunos tinham, salvo engano, menos de 10 anos. Dá para imaginar os efeitos, mas recomendo uma breve pesquisa que serve pra alertar sobre os riscos de "comprar" qualquer ideia.
Mais recentemente tivemos o caso de uma mulher morta por populares no litoral de São Paulo, vítima de um boato mal intencionado.
Poucos meses atrás situação semelhante ocorreu no Rio, por conta de um boato espalhando por uma rival, que só não terminou em morte por sorte e pela rápida intervenção da polícia.
Estamos falando de efeitos físicos, morais e emocionais, alguns danos não se corrigem, não são sanados.
É legal posar de defensor de uma ideia que garanta cliques e curtidas, ao menos na ótica de quem vive em função de redes sociais, mas existe muito mais conteúdo e informação para se compor uma verdade.
Me lembro que anos atrás era comum parar em bancas de jornais para ler as manchetes, jornais largados em bancos da condução eram disputados à tapa. Ainda assim, não se tratava do todo de uma informação, fora que hoje os jornais encolheram, se adaptando a leitura dinâmica, "fast food" dos tempos modernos.
Certamente a culpa não é da internet, mas do seu uso inadequado, agora mesmo recomendei usa-la para pesquisa.
Vivemos tempos de polaridade, onde a boa conversa fica em segundo plano, vivemos tempo onde só se aceita os que concordam, até comercial de cerveja já reconheceu o fato.
Seriam tempos melhores se retomássemos a boa conversa, a troca de ideias e opiniões, subsidiadas em informações, em leitura, em conhecimento.
Sou do tempo que se aprendia muito conversando, ouvindo. Então me assusta ver o que o mundo vem se tornando.
Tb dos velhos tempos haviam as "pílulas de sabedoria", sim, era possível passar sabedoria em pequenas frases, ditas por alguém num momento inspirado. Mas não existe "pílulas de conhecimento", isto não, não tem como se saber tanto em 140 caracteres, em uma mensagem compartilhada por desconhecidos em grupos do zap ou por textões que muitas vezes nem se sabe a real autoria, basta lembrar dos "famosos" textos de Luis Fernando Veríssimo e outros tantos autores, prática que ainda persiste pra envernizar conceitos.
Outra sugestão, para encerrar, pesquise sobre robôs da internet, scripts feitos para gerar informação em massa para atingir ou promover alguém, uma verdade ou uma mentira, um fato ou um boato. E não pense que é ficção, talvez vc só esteja compartilhando algo produzido por uma máquina e nem sabe, tudo pq não perdeu seus preciosos minutos pra conhecer mais profundamente os fatos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Velas que se apagam

Tudo que vc faz aos montes não esconde aquilo que vc perde aos poucos.
Por mais que vc fuja, sempre haverá um monstro a te perseguir, um monstro que vc fez nascer e alimentou.
De que adianta fazer mil velas, se a que importa se apaga?
De que adianta plantar mil alqueires se aquilo que te alimenta morre por abandono?
Temos tantos medos que deixamos de viver, de viver um segundo que seja de felicidade.
Buscamos às sombras, abandonamos a luz, o calor, pra que?
Costumamos abandonas as coisas como se isto facilitasse à caminhada, até descobrirmos que era a bagagem necessária pra chegar onde queríamos.
Por quanto tempo ainda vamos fazer as escolhas fáceis, convenientes? Por quanto tempo vamos criar histórias para nos manter na zona de conforto?
Viver é errar, se temos medo de errar, temos medo de viver, é impossível desassociar.
O problema de manter as mão estendidas à espera de alguém que pegue é que um dia o braço cede ao cansaço, e é preciso seguir, numa caminhada onde dois perdem, dois se entristecem.
Nada que vc faça fica só consigo, sempre seus atos afetarão alguém, mesmo a ausência de atos.
Não acredite que pode de fato inexistir.