quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Sou do Tempo...

Sou do tempo que redes sociais eram os papéis. Ali vc compartilhava seus desenhos, seus textos, suas poesias...
Qualquer papel servia, quem nunca ouviu falar do famoso papel de pão? De letras escritas em guardanapos?
Sou do tempo que a gente gostava de compartilhar, de ouvir histórias, de aprender...
Ninguém se preocupava em lacrar, em buscar entrelinhas para criticar, se estava ou não dentro do politicamente correto. Não existia marra (nem a palavra e nem o significado). Se alguém discordasse, se conversava.
Sou do tempo que a gente cometia erros, muitos. Que se ficava de mal, sem se falar.
Mas um tempo tb que se buscava o perdão, o retorno da amizade, a conversa.
Sou do tempo que a gente ficava na calçada até altas horas da noite... Conversando.
Um tempo que rapazes e moças conviviam, que era mais importante ser do que parecer. Onde as ideias e a amizade tinham valor. 

Não é um tempo tão distante, mas algo foi se perdendo e rapidamente. E a individualidade se tornou mais forte que o todo. Pq, no fundo, se trata disto.
Não que tudo fosse perfeito, nosso sonho era que o futuro fosse melhor, que não haveria violência, que haveriam mais oportunidades, menos ameaças, etc... Inocentes, eu sei.

Se diz que somos formados em caráter e convicções pelo que vivemos na juventude, quem dera, basta ver como a educação se perdeu mesmo entre os mais velhos, como a cordialidade se encolheu em algum canto, como o fino trato é coisa de livro antigo. Sim, somos fortemente contaminados pelo tempo que vivemos. Só não podemos deixar que contaminem tb nossas lembranças, como muitos tentam fazer, desqualificando o passado (não tão passado assim).

Se quer um registro de época, basta ver que músicas faziam sucesso em por qto tempo duraram. Pode não confiar no método, mas seus ouvidos agradecerão.
Outra abordagem é observar que uma das séries de maior sucesso na atualidade, Stranger Things, é ambientada nos "ingênuos" anos 80, principalmente na composição dos personagens e suas interações.

Talvez exista um mundo paralelo onde os sonhos tenham se realizado, o mundo tenha se tornado um lugar ainda melhor e as pessoas tenham se aproximado ainda mais. Pena que não tenhamos tido a chance de escolher em qual mundo seguir.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tempos Modernos

É tentador se aventurar aqui a comentar os assuntos polêmicos da temporada, eles se sucedem de tal maneira que fica difícil acompanhar, mas dão bons cliques.
Na realidade, o que se sobressai de tudo isto é como se toma como verdade pra si algo que nem se deu ao trabalho de ler. Veja, falo de assumir como verdade pessoal e individual.
E se compartilha, se muda avatar em rede social, escreve textão, se repete com absoluta convicção aquilo que os outros repetem, no entanto, sem entender de fato do que se trata.
E isto é bem mais perigoso do que se pensa, fora ilustrar uma sociedade que não pensa, mas age por manada.
Dois jovem próximos foram associados à crimes que não cometeram, tiveram suas fotos e redes sociais compartilhadas e sofreram ameaças das mais variadas, um deles estava somente levando currículo para uma loja e teve a infelicidade de cumprimentar um dos "bandidos" de verdade, que por acaso conhecia de vista.
Anos atrás, bem antes da existência de internet e redes sociais, tivemos o caso da Escola Base, em São Paulo (me corrijam se algum dado estiver errado), onde um boato fez crer que os proprietários eram pedófilos, lembrando que os alunos tinham, salvo engano, menos de 10 anos. Dá para imaginar os efeitos, mas recomendo uma breve pesquisa que serve pra alertar sobre os riscos de "comprar" qualquer ideia.
Mais recentemente tivemos o caso de uma mulher morta por populares no litoral de São Paulo, vítima de um boato mal intencionado.
Poucos meses atrás situação semelhante ocorreu no Rio, por conta de um boato espalhando por uma rival, que só não terminou em morte por sorte e pela rápida intervenção da polícia.
Estamos falando de efeitos físicos, morais e emocionais, alguns danos não se corrigem, não são sanados.
É legal posar de defensor de uma ideia que garanta cliques e curtidas, ao menos na ótica de quem vive em função de redes sociais, mas existe muito mais conteúdo e informação para se compor uma verdade.
Me lembro que anos atrás era comum parar em bancas de jornais para ler as manchetes, jornais largados em bancos da condução eram disputados à tapa. Ainda assim, não se tratava do todo de uma informação, fora que hoje os jornais encolheram, se adaptando a leitura dinâmica, "fast food" dos tempos modernos.
Certamente a culpa não é da internet, mas do seu uso inadequado, agora mesmo recomendei usa-la para pesquisa.
Vivemos tempos de polaridade, onde a boa conversa fica em segundo plano, vivemos tempo onde só se aceita os que concordam, até comercial de cerveja já reconheceu o fato.
Seriam tempos melhores se retomássemos a boa conversa, a troca de ideias e opiniões, subsidiadas em informações, em leitura, em conhecimento.
Sou do tempo que se aprendia muito conversando, ouvindo. Então me assusta ver o que o mundo vem se tornando.
Tb dos velhos tempos haviam as "pílulas de sabedoria", sim, era possível passar sabedoria em pequenas frases, ditas por alguém num momento inspirado. Mas não existe "pílulas de conhecimento", isto não, não tem como se saber tanto em 140 caracteres, em uma mensagem compartilhada por desconhecidos em grupos do zap ou por textões que muitas vezes nem se sabe a real autoria, basta lembrar dos "famosos" textos de Luis Fernando Veríssimo e outros tantos autores, prática que ainda persiste pra envernizar conceitos.
Outra sugestão, para encerrar, pesquise sobre robôs da internet, scripts feitos para gerar informação em massa para atingir ou promover alguém, uma verdade ou uma mentira, um fato ou um boato. E não pense que é ficção, talvez vc só esteja compartilhando algo produzido por uma máquina e nem sabe, tudo pq não perdeu seus preciosos minutos pra conhecer mais profundamente os fatos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Velas que se apagam

Tudo que vc faz aos montes não esconde aquilo que vc perde aos poucos.
Por mais que vc fuja, sempre haverá um monstro a te perseguir, um monstro que vc fez nascer e alimentou.
De que adianta fazer mil velas, se a que importa se apaga?
De que adianta plantar mil alqueires se aquilo que te alimenta morre por abandono?
Temos tantos medos que deixamos de viver, de viver um segundo que seja de felicidade.
Buscamos às sombras, abandonamos a luz, o calor, pra que?
Costumamos abandonas as coisas como se isto facilitasse à caminhada, até descobrirmos que era a bagagem necessária pra chegar onde queríamos.
Por quanto tempo ainda vamos fazer as escolhas fáceis, convenientes? Por quanto tempo vamos criar histórias para nos manter na zona de conforto?
Viver é errar, se temos medo de errar, temos medo de viver, é impossível desassociar.
O problema de manter as mão estendidas à espera de alguém que pegue é que um dia o braço cede ao cansaço, e é preciso seguir, numa caminhada onde dois perdem, dois se entristecem.
Nada que vc faça fica só consigo, sempre seus atos afetarão alguém, mesmo a ausência de atos.
Não acredite que pode de fato inexistir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Apequenar

Algumas vezes as coisas parecem meio confusas, de difícil explicação. Em busca de respostas que nunca chegam, desistimos de seguir em frente. Mas será que no fim não é mais do mesmo?
Nossa vida toda é feita de conflitos, de tomadas de decisão, de medos, de avanços e recuos. O que queremos nem sempre é o que podemos e nos tornamos exímios artesões na arte de fugir, de criar desculpas.
Os conflitos são de tal ordem que até as atitudes são conflituosas, por exemplo, pessoas inteligentes e espertas acabam agindo de maneira infantil, desordenada, mas não pq de fato sejam assim, mas pq é a rota de fuga mais segura, o famoso se fazer de bobo, só que pra nós mesmos.
A pergunta é: será que não é possível conciliar?
De novo usando os exemplos de nossas vidas, tudo no começo é confuso, parece que não daremos conta, mas com o passar do tempo, se torna natural. Medo? Sempre tivemos de quase tudo, mas superamos, não?
Somos capazes, basta querer e se permitir.
Qual a receita? A mesma de sempre, fazer tudo com calma e cuidado.
O problema é que quando envolve sexo, tesão ou só alguma intimidade, algumas travas de segurança se desarmam facilmente, ficamos abobalhados, descuidados.
Mas acreditar que será sempre assim é como acreditar que vai escorregar na casca de banana assim que vê uma.
Sejamos justos conosco, somos sim capazes de viver situações inusitadas, excepcionais e colher delas o melhor que há sem comprometer a vida que levamos. Em todos os exemplos negativos que vc possa apurar, haverá o descuido, a irresponsabilidade, a imaturidade. Mas exemplos servem pra isto, para ensinar o caminho das pedras.
Evidentemente falo aqui das coisas que realmente valem a pena, daquelas que são excepcionais, das que nos tornam maiores e mais felizes. Pq outro grande pecado é aceitar o pouco, o que não está na nossa altura. Mas não é tão difícil assim saber o que é justo pra nós, basta ter amor próprio, se gostar.
Não podemos é nos limitar, isto nunca. Se quer a excelência da vida, busque, supere o medo, faça do modo certo.
Não acredito que devemos nos apequenar e nos resumir só pq nos sentimos incapazes ou não merecedores de ter mais.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tempos Estranhos

Antes, cabia aos pais educarem, hoje, são reféns dos filhos.
Antes, as escolas tratavam com os pais, hoje, atendem às vontades dos alunos.
Com quem fica, hoje, o papel de educar?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Parece que foi ontem...

Quando a internet surgiu, era tudo a cabo, vc tinha que escolher entre telefone e internet, tinha os melhores horários, não haviam portais, praticamente tudo se resumia a bate papo, pra baixar música levava coisa de mês, um grande HD era menor do que um pendrive de hoje, mas podia usar disquete e CD regravável (um tempinho depois), e fazia malabarismo com arquivos "grandes" tipo fotos.
Tinha até tema musical: o som da discagem.
Logo começaram os portais, ler notícia na tela do computador, mesmo que demorasse pra carregar toda página, veio o Orkut que era um upgrade em relação ao ICQ, MSN e salas de bate papo. Orlut, a primeira vitrine virtual, no começo, de idéias, depois...
Logo os blogs se popularizaram, mandar piadinhas e correntes por e-mail, ficar feliz quando subia a janelinha do contato do MSN...
Começava o tempo da banda larga... Smartphone... Da onipresença virtual...
Se no começo de tudo  éramos personagens, loiros de olhos azuis, logo começamos a nos expor, idéias, pensamentos, curiosidades, verdades, mentiras... Até tudo descambar pra troca de insultos.
E o caminho de volta começava, agora do virtual pro real, desfazendo amizades, estimulando conflitos, fobias de todo tipo, nosso pior ganhou forma.
E tudo no mesmo espaço, pq cada um dos avanços da internet mencionados acima, migrou de alguma forma pro Facebook.
Blogs agora são textões, notícias são links e postagens (verdadeiras ou não), bate papo, álbuns de foto, músicas, piadas, correntes, estado civil, estado de humor...
Uma bolha que te expõe ao todo, ao completo.
Ao invés de se expandir, tudo acabou dentro de uma rede social.
Twitter, Zap, Instagram... Textos curtos, rápidos, instantâneos como os próprios nomes sugerem.
Antigamente, pra fazer uma foto, se perdia um tempo pra todo mundo ficar na pose certa, enquadrado, agora uma pose e sorriso saem num segundo, mesmo a menina emburrada e acabrunhada consegue em milésimos de segundo fazer a pose padrão de selfie.
Legal como nos tornamos reféns dos outros, da imagem que vendemos aos outros...
Prefiro continuar sendo um homem da caverna, eventualmente postando aqui... Meus textões... Se bem que tem os adeptos do vinil, da máquina de escrever... Só não da fotografia de filme pq quase não existem laboratórios.
Bons tempos... Saudosismo do que foi ontem...

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Jogos.

Aproveitando a Olimpíada para constatar como somos torcedores na política. O jeito extremado, emocional, por vezes violento de torcer por seus" ídolos", "times".
Só que, diferente dos ídolos e times, não temos heróis na política. Não nos representam, não representam o povo brasileiro, não nos enchem de orgulho.
Com sorte vc vai votar num que não te faça sentir grande vergonha, que passe incólume por um mandado sem trair seu voto.
Todos, no fim, jogam no mesmo time, mesmo que vistam "camisas" diferentes, tem objetivos em comum.
Todos? De certa forma sim, é regra básica da convivência, da auto defesa, logo vão estar defendendo um "irmão", protegendo ou se abstendo de se posicionar.
Comparados com atletas, jogadores, times, nações; não passam nem perto. Não possuem identidade com o que representam, não querem o ouro simbólico, não querem alcançar objetivos através da luta, esforço, dedicação, humildade e sim pelos atalhos.
No entanto, distantes que estejam do verdadeiro heroísmo, contam com torcidas inflamadas, defesas emocionadas. Pra quê?
De repente vc começa a agir como eles, enxergando só o que é conveniente. Defeitos? Só nos outros.
Todos agem da mesma maneira, mas meu verde é mais verde do que lá. 
E a necessidade de "vitória" é tanta, e tão cega, que qualquer minúscula situação ganha contornos de batalhas épicas, o cara que estacionou na vaga de deficientes mas tinha um adesivo de tal "time", já é logo alçado ao posto de representante mor do inimigo: "Vejam, é assim que eles agem..."
Como no esporte, alguns honram e outros não a camisa que vestem. Alguns tem comprometimento e outros não. Nossos heróis esportivos são os que honram, os que representam, os vitoriosos, não só de medalhas, mas de exemplos.
E toda análise se torna rasteira, e toda distorção se torna possível e aceitável. Justiça? Coerência? Pra vencer o jogo vale tudo.
E das "arquibancadas", entramos em campo, jogando tão sujo qto eles.
Serão dignos, realmente, de tanta dedicação? Merecedores de nossas amizades perdidas? Das noites mal dormidas? Dos ferimentos de nossas batalhas?
Ainda estamos escolhendo o menos pior, a verdade é esta.
Todos são farinha do mesmo saco, podem diferir na categoria mergulho na lama, até onde estão afundados, mas se analisarmos o conceito mais puros de ética, todos estão, ao menos, chapiscados.
Quando vc estiver torcendo vivamente pelo seu ídolo diante da tv, estiver no limiar de um ataque do coração vendo seu time jogar, compare com os "atletas" da política: Merecem vc?
Se vc ainda estiver do lado de cá, na arquibancada, cuide pra jamais acabar tb em campo, no jogo sujo.
Mantenha uma distância segura da podridão.