segunda-feira, 6 de março de 2017

Velas que se apagam

Tudo que vc faz aos montes não esconde aquilo que vc perde aos poucos.
Por mais que vc fuja, sempre haverá um monstro a te perseguir, um monstro que vc fez nascer e alimentou.
De que adianta fazer mil velas, se a que importa se apaga?
De que adianta plantar mil alqueires se aquilo que te alimenta morre por abandono?
Temos tantos medos que deixamos de viver, de viver um segundo que seja de felicidade.
Buscamos às sombras, abandonamos a luz, o calor, pra que?
Costumamos abandonas as coisas como se isto facilitasse à caminhada, até descobrirmos que era a bagagem necessária pra chegar onde queríamos.
Por quanto tempo ainda vamos fazer as escolhas fáceis, convenientes? Por quanto tempo vamos criar histórias para nos manter na zona de conforto?
Viver é errar, se temos medo de errar, temos medo de viver, é impossível desassociar.
O problema de manter as mão estendidas à espera de alguém que pegue é que um dia o braço cede ao cansaço, e é preciso seguir, numa caminhada onde dois perdem, dois se entristecem.
Nada que vc faça fica só consigo, sempre seus atos afetarão alguém, mesmo a ausência de atos.
Não acredite que pode de fato inexistir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Apequenar

Algumas vezes as coisas parecem meio confusas, de difícil explicação. Em busca de respostas que nunca chegam, desistimos de seguir em frente. Mas será que no fim não é mais do mesmo?
Nossa vida toda é feita de conflitos, de tomadas de decisão, de medos, de avanços e recuos. O que queremos nem sempre é o que podemos e nos tornamos exímios artesões na arte de fugir, de criar desculpas.
Os conflitos são de tal ordem que até as atitudes são conflituosas, por exemplo, pessoas inteligentes e espertas acabam agindo de maneira infantil, desordenada, mas não pq de fato sejam assim, mas pq é a rota de fuga mais segura, o famoso se fazer de bobo, só que pra nós mesmos.
A pergunta é: será que não é possível conciliar?
De novo usando os exemplos de nossas vidas, tudo no começo é confuso, parece que não daremos conta, mas com o passar do tempo, se torna natural. Medo? Sempre tivemos de quase tudo, mas superamos, não?
Somos capazes, basta querer e se permitir.
Qual a receita? A mesma de sempre, fazer tudo com calma e cuidado.
O problema é que quando envolve sexo, tesão ou só alguma intimidade, algumas travas de segurança se desarmam facilmente, ficamos abobalhados, descuidados.
Mas acreditar que será sempre assim é como acreditar que vai escorregar na casca de banana assim que vê uma.
Sejamos justos conosco, somos sim capazes de viver situações inusitadas, excepcionais e colher delas o melhor que há sem comprometer a vida que levamos. Em todos os exemplos negativos que vc possa apurar, haverá o descuido, a irresponsabilidade, a imaturidade. Mas exemplos servem pra isto, para ensinar o caminho das pedras.
Evidentemente falo aqui das coisas que realmente valem a pena, daquelas que são excepcionais, das que nos tornam maiores e mais felizes. Pq outro grande pecado é aceitar o pouco, o que não está na nossa altura. Mas não é tão difícil assim saber o que é justo pra nós, basta ter amor próprio, se gostar.
Não podemos é nos limitar, isto nunca. Se quer a excelência da vida, busque, supere o medo, faça do modo certo.
Não acredito que devemos nos apequenar e nos resumir só pq nos sentimos incapazes ou não merecedores de ter mais.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tempos Estranhos

Antes, cabia aos pais educarem, hoje, são reféns dos filhos.
Antes, as escolas tratavam com os pais, hoje, atendem às vontades dos alunos.
Com quem fica, hoje, o papel de educar?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Parece que foi ontem...

Quando a internet surgiu, era tudo a cabo, vc tinha que escolher entre telefone e internet, tinha os melhores horários, não haviam portais, praticamente tudo se resumia a bate papo, pra baixar música levava coisa de mês, um grande HD era menor do que um pendrive de hoje, mas podia usar disquete e CD regravável (um tempinho depois), e fazia malabarismo com arquivos "grandes" tipo fotos.
Tinha até tema musical: o som da discagem.
Logo começaram os portais, ler notícia na tela do computador, mesmo que demorasse pra carregar toda página, veio o Orkut que era um upgrade em relação ao ICQ, MSN e salas de bate papo. Orlut, a primeira vitrine virtual, no começo, de idéias, depois...
Logo os blogs se popularizaram, mandar piadinhas e correntes por e-mail, ficar feliz quando subia a janelinha do contato do MSN...
Começava o tempo da banda larga... Smartphone... Da onipresença virtual...
Se no começo de tudo  éramos personagens, loiros de olhos azuis, logo começamos a nos expor, idéias, pensamentos, curiosidades, verdades, mentiras... Até tudo descambar pra troca de insultos.
E o caminho de volta começava, agora do virtual pro real, desfazendo amizades, estimulando conflitos, fobias de todo tipo, nosso pior ganhou forma.
E tudo no mesmo espaço, pq cada um dos avanços da internet mencionados acima, migrou de alguma forma pro Facebook.
Blogs agora são textões, notícias são links e postagens (verdadeiras ou não), bate papo, álbuns de foto, músicas, piadas, correntes, estado civil, estado de humor...
Uma bolha que te expõe ao todo, ao completo.
Ao invés de se expandir, tudo acabou dentro de uma rede social.
Twitter, Zap, Instagram... Textos curtos, rápidos, instantâneos como os próprios nomes sugerem.
Antigamente, pra fazer uma foto, se perdia um tempo pra todo mundo ficar na pose certa, enquadrado, agora uma pose e sorriso saem num segundo, mesmo a menina emburrada e acabrunhada consegue em milésimos de segundo fazer a pose padrão de selfie.
Legal como nos tornamos reféns dos outros, da imagem que vendemos aos outros...
Prefiro continuar sendo um homem da caverna, eventualmente postando aqui... Meus textões... Se bem que tem os adeptos do vinil, da máquina de escrever... Só não da fotografia de filme pq quase não existem laboratórios.
Bons tempos... Saudosismo do que foi ontem...

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Jogos.

Aproveitando a Olimpíada para constatar como somos torcedores na política. O jeito extremado, emocional, por vezes violento de torcer por seus" ídolos", "times".
Só que, diferente dos ídolos e times, não temos heróis na política. Não nos representam, não representam o povo brasileiro, não nos enchem de orgulho.
Com sorte vc vai votar num que não te faça sentir grande vergonha, que passe incólume por um mandado sem trair seu voto.
Todos, no fim, jogam no mesmo time, mesmo que vistam "camisas" diferentes, tem objetivos em comum.
Todos? De certa forma sim, é regra básica da convivência, da auto defesa, logo vão estar defendendo um "irmão", protegendo ou se abstendo de se posicionar.
Comparados com atletas, jogadores, times, nações; não passam nem perto. Não possuem identidade com o que representam, não querem o ouro simbólico, não querem alcançar objetivos através da luta, esforço, dedicação, humildade e sim pelos atalhos.
No entanto, distantes que estejam do verdadeiro heroísmo, contam com torcidas inflamadas, defesas emocionadas. Pra quê?
De repente vc começa a agir como eles, enxergando só o que é conveniente. Defeitos? Só nos outros.
Todos agem da mesma maneira, mas meu verde é mais verde do que lá. 
E a necessidade de "vitória" é tanta, e tão cega, que qualquer minúscula situação ganha contornos de batalhas épicas, o cara que estacionou na vaga de deficientes mas tinha um adesivo de tal "time", já é logo alçado ao posto de representante mor do inimigo: "Vejam, é assim que eles agem..."
Como no esporte, alguns honram e outros não a camisa que vestem. Alguns tem comprometimento e outros não. Nossos heróis esportivos são os que honram, os que representam, os vitoriosos, não só de medalhas, mas de exemplos.
E toda análise se torna rasteira, e toda distorção se torna possível e aceitável. Justiça? Coerência? Pra vencer o jogo vale tudo.
E das "arquibancadas", entramos em campo, jogando tão sujo qto eles.
Serão dignos, realmente, de tanta dedicação? Merecedores de nossas amizades perdidas? Das noites mal dormidas? Dos ferimentos de nossas batalhas?
Ainda estamos escolhendo o menos pior, a verdade é esta.
Todos são farinha do mesmo saco, podem diferir na categoria mergulho na lama, até onde estão afundados, mas se analisarmos o conceito mais puros de ética, todos estão, ao menos, chapiscados.
Quando vc estiver torcendo vivamente pelo seu ídolo diante da tv, estiver no limiar de um ataque do coração vendo seu time jogar, compare com os "atletas" da política: Merecem vc?
Se vc ainda estiver do lado de cá, na arquibancada, cuide pra jamais acabar tb em campo, no jogo sujo.
Mantenha uma distância segura da podridão.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Alma Nua

Anos atrás, quando a internet ainda engatinhava, fui surpreendido pela notícia, em rádio, da morte de Renato Russo. Me lembro do silêncio que se fez (estava no trabalho) mesmo entre aqueles que não eram fãs.
"...É tão estranho, os bons morrem tão jovens..."
É de uma tristeza profunda quando um artista morre jovem, é quando nos damos conta de como ele nutre nossas vidas, e como nos sentiremos sem a expectativas de novas músicas ou sua arte.
Artistas que nos tocam pessoalmente, naturalmente, causa mais impacto, certamente minha história se repete com cada um, com outros artistas, outros gêneros, mas tendo em comum a ideia de rompimento de uma trajetória ainda no seu começo.
Sexta passei por isto de novo, talvez muitos nem saibam quem é, mas quem me lê com alguma regularidade sabe o quanto eu gosto de Vander Lee, músico e poeta.
Pensei em postar um vídeo, mas já postei tantos aqui, e fui absorvendo o ocorrido, vendo como são grandes perdas diante do que vemos por ai. Sim, é inevitável pensar como somos pinçados do talento de alguns enquanto outros...
Se vc não conhece Vander Lee, procure um dos vídeos que publiquei, procure por suas letras, tente ouvir um algum lugar. Afinal, o homem vai, mas a arte fica.
"...Viver menino, morrer poeta..."
Com algumas pessoas compartilhei meu gosto, é um lado bom da música boa, o assunto que surge de uma boa letra, de uma boa melodia, de ir estendendo um "tapete" de coisas boas pra servir de amparo pra amizade.
Todos nós temos uma trajetória, alguns semeiam coisas boas, distribuem luz, e toda trajetória tem seu fim, quando vem de forma natural, é mais fácil absorver: começo, meio e fim... Mas é duro e impactante, ao ponto de rever toda própria vida, quando vem com tanto ainda por fazer... 
Um dia triste, uma semana triste...
Morreu um poeta.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sonhos

"...Estranha mania de ter fé na vida..."

Eu sonho, imagino coisas, faço planos mirabolantes... Penso em coisas que parecem improváveis.
Quem há de me condenar?
Não tenho lamentos, pq sonho um sonho atrás do outro.
Alguns ganham vida, outros ganham um respiro.
Uns vêm logo, outros demoram.
Tem os que não são lá tão bonitos quando se imagina.
Outros acontecem sem nem que tenham sido sonhados.
Se me perguntar se vale a pena, claro que vale.
Se eu te contar um sonho, não se assuste, ainda é sonho... A caminho da realidade... Ou não.
Quer dividir comigo um sonho? Venha, sem pressa ou obrigação, assim fica mais gostoso. Só curta a viagem, se bobear chegamos lá.
Sonho não tem roteiro, não tem tempo de acontecer, nem mesmo personagens fixos... 
Podem ser mágicos, loucos, brincalhões, sérios, comedidos, soberbos...
Se gosto de ti, contigo tb sonho.
Sonhos são esboços da realidade... Pré projeto.
Me deixe sonhar...