quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O Amor e a Ira.

Sentimentos opostos e que se definem conforme as circunstâncias. A base de todos os sentimentos é o amor, tão amplo que é a base da pregação de Cristo que revolucionou os conceitos de sua época até hoje, passa pelos gestos de caridade, amizade e ganha sua forma extrema no Eu te Amo.
À ausência de amor chamamos de Ira, que ganha outros nomes como ódio, raiva, nasce na rivalidade, nos opostos, que pode estar presente de maneira contida em relações do dia a dia ou explodir em medidas extremas como assassinatos, guerra.
Mas são as circunstâncias que definem o surgimento de um ou outro. Amor ou Ira dependerão de algumas circunstâncias, tanto que muitas vezes no decorrer do tempo experimentamos os dois sentimentos pela mesma pessoa.
Amores que terminam em ódio, eleitores arrependidos, torcedores frustrados, amigos traídos, convicções perdidas sem mencionar as possibilidades do caminho oposto.
E quantos amores deixaram de acontecer de maneira mais ampla por que simplesmente não se cruzaram na vida? Ou quando se cruzaram as circunstâncias não favoreceram? Muitas vezes só por que não estávamos preparados para descobri-lo.
São tantas as circunstâncias onde nasce o sentimento, mas é tão difícil realmente defini-lo na intensidade.
Mocinhas do interior se apaixonam pelos mocinhos da cidade, se casam, se mudam encantadas com as oportunidades até que o tempo passa assim como a mágica do momento inicial e se descobrem infelizes longe de quem realmente amam.
Nos apaixonamos por nossos professores e professoras por que naquela altura da vida são a referência que queremos perseguir, tão inteligentes e seguros, tão belos diante da sala cheia que silenciosamente acompanha cada fala, cada gesto.
Nos apaixonamos pelo artista da moda por que ele parece tão brilhante, tão acima do bem e do mal, tão pouco humano, tão irreal na sua capacidade criativa.
Nos apaixonamos pelos poetas por que eles dizem tudo que sentimos e pensamos de maneira tão precisa e bonita.
Nos apaixonamos quando estamos carentes, quando estamos fragilizados, quando no meio da tempestade interna que vivemos alguém que nos parece tão sóbrio e seguro surge com as mãos estendidas para nos tirar dali, existe tentação maior do que segurar aquela mão só pra sair disto tudo?
Nos apaixonamos quando não acreditamos na gente, quando nossa auto estima está em baixa e surge alguém tão apaixonado por nós que nos choca, surpreende e ainda sob efeito da novidade, entregamos nosso frágil coração em retribuição, ou seria sacrifício?
Nos apaixonamos quando tomados pelo terror, entre explosões aterradoras surge o herói impávido entre as chamas e nos socorre resoluto.
Nos apaixonamos pela mão firme e/ou carinhosa que nos domina, quem se impõe de maneira tão contundente que nos percebemos entregues e felizes.
Nos apaixonamos pelo jogador por que quando tudo parecia perdido ele fez o gol, a cesta, o ponto salvador.
Tantas circunstâncias que poderia passar horas escrevendo, se isoladamente são muitas, imagina então combinadas.

Já a Ira, como oposta ao amor, surge nas situações contrárias ou quando o efeito entorpecente da paixão passa, desde que não tenhamos a sabedoria de reconhecer à tempo o erro cometido.
O problema é que nas mesmas circunstâncias pode nascer o amor verdadeiro ou garimparmos o ouro dos tolos.
Não é culpa do amor, talvez nem seja nossa culpa, mas a vida é assim, cheia de armadilhas, na realidade a felicidade só é alcançada por quem é capaz de resistir a tentação do fácil, quem a persegue com obstinação, quem consegue dar ouvidos à voz interna que nos alerta.
Sim, nosso maior conselheiro está dentro de nós, sempre existe uma voz interna que sussurra ou grita, conforme a situação, nos alertando, é a mesma voz que comemora eufórica quando acertamos.
Quando tudo parece perfeito e, no entanto, não estamos felizes é a tal voz interna falando. Ou quando estamos experimentando os venenos da Ira, é aquela voz interna que diz que estamos nutrindo o sentimento errado.
Na maioria das vezes a tal voz interna não está dizendo que o sentimento está errado, está mostrando somente que está mal dimensionado.
Este é um dos motivos mais comuns da Ira tomar o lugar do Amor, é a descoberta do engodo, de sermos traídos, de não ser nada daquilo que pensamos, mas se ouvíssemos a voz interna, provavelmente não chegaríamos a este extremo, poderíamos corrigir os rumos e finalmente sermos felizes vivenciando o sentimento na sua real dimensão.
O Amor e a Ira serão sempre conseqüências das circunstâncias que nos envolve, está em nossas mãos evitar ao menos que o Amor se converta em Ira.
Eu acho fantástico viver o amor, experimenta-lo sem medo de errar, por que é através destas experiências que amadurecemos e entendemos mais sobre ele, que somos felizes, mas como tudo na vida, se errarmos na dose passa a nos fazer mal, pode se tornar o oposto do que era.
Vamos errar muito e talvez nunca consigamos aprender, mas sempre valerá a pena se arriscar desde que tenhamos a sabedoria de ouvir nossa voz interna, de reconhecer modestamente que erramos, ter a humildade de, em benefício próprio e de quem amamos, corrigir nossos “pequenos” deslizes.
Ame e não deixe nada estragar este sentimento, por que a Ira sempre estará à espreita numa de suas diversas formas.
O Amor é para ser vivido, dizem que experimentar um minuto de grande amor vale uma vida, nada vale tão a pena quanto amar, amar com respeito e sabedoria, como dizia Vinicius:
"Que seja eterno enquanto dure..."

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Amigos paisagem.

O que são? Como diriam os antigos, são do tipo pau pra toda obra, sempre compõe o ambiente, nos fazem companhia, estão dispostos a tudo, estão nas nossas listas de amigos do Orkut, MSN, do celular. Basta um contato e pronto, está montada a equipe da missão, seja ela simples companhia, passeio, balada, cinema, farra até mesmo atacar prostitutas na Barra ou arrumar briga com grupos “rivais”.
Temos e somos amigos paisagens. Sabendo usar e/ou ser, teremos ótimos momentos.
Precisamos deles, eles precisam de nós, com o tempo mudamos, as relações mudam, mas os amigos paisagem continuam nas suas mais diversas formas, desde o colega de colégio até o(a) companheiro(a) de dama ou crochê.
Como remédios eles também tem bula, não curam todos os males, tem uso limitado, em excesso fazem mal, não se aplicam a todos os casos e alguns são até perigosos.
Os amigos paisagem compõem um ambiente onde concorrem ou convivem com família e os amigos, definidos assim todos aqueles que são mais do que companhias, do que membros de “equipes”, que estão presentes em toda e qualquer ocasião, mesmo quando tudo parece querer afastá-los.
No Eco sistema perfeito estes três grupos se convivem, não concorrem entre si, se complementam e tem o espaço certo para ocupar.
Se estabelecermos círculos em torno de nós, os mais próximos serão os amigos e família, a vida da gente sempre coloca ou um ou outro bem perto de nós, quando as pernas bambeiam, é ali que encontramos apoio. Os amigos paisagem estão lá, alguns mais próximos, outros mais distantes, mas eles são nossos elos com o mundo, oxigenam nossas vidas, quanto melhores, mais vida nos traz.
Alguns devem estar incomodados com a expressão amigos paisagem, tentei encontrar um termo melhor, mas acho que coube bem, não creio que diminua sua importância além de servir pra distinguir dos amigos naturais.
O que é paisagem? Tudo aquilo que nos cerca, nos preenche, que define o que somos e como nos sentimos. Não está tão perto que podemos tocar, mas está ao alcance para podermos percorrer.
Portanto, o amigo paisagem é importante, fundamental no nosso Eco sistema, é um dos pilares de nossa existência.
Todos tem relevância em nossas vidas, mas forçar a troca de papéis sem que seja algo natural jamais dá certo, nem sempre um amigo paisagem tem estrutura para ser mais do que isso, ou um amigo tem condições de nos acompanhar nas nossas aventuras, nem sempre alguém da família conseguirá lidar bem com nossos segredos a serem divididos.
O importante é que cada um seja valorizado, querido, receba nossa dedicação, sem que isso signifique sacrifícios dos outros membros do nosso Eco sistema.
Está na harmonia dos três elementos a nossa felicidade: amigos paisagem, família e amigos.
A vida, todos nós sabemos, não é feita só de alegrias, sorrisos, de dias de sol. Não temos um guarda roupa só para dias de calor, precisamos de roupa para dias de chuva, de frio e até de tempestade. Se não soubermos cuidar bem de cada peça de roupa, sofreremos.
E se as peças que compõe nosso guarda roupa não cobrem todas as ocasiões, cabe cuidar melhor, é nossa responsabilidade manter da melhor maneira cada peça de roupa que poderá ser útil quando precisarmos.
Mas às vezes as coisas saem errado, não cuidamos direito do guarda roupa e tentamos em vão adaptar as peças que temos, mas de nada adianta.
Podemos colocar a culpa em São Pedro, em algo que não estava a nosso alcance, mas será? Quando é tarde demais é fácil se eximir de culpa, nem sempre somos justos por que fugimos de nossa responsabilidade, lidamos mal com a idéia que somos os responsáveis pelo que nos ocorre.
Ficamos dedicados demais a um dos elementos de nossa vida, nos descuidamos de outros, as coisas dão errado somos pegos desprevenidos e não somos os responsáveis?
A idéia de Eco sistema funciona com a simples lógica de que tudo precisa estar harmonioso, se algo prevalece em detrimento do outro, vem o desequilíbrio. Mas quem faz as escolhas, não somos nós? Quem decide onde agir e o que priorizar, não somos nós?
Para alcançar esse equilíbrio o caminho nem sempre se mostra suave, mas isso justifica abandona-lo? Será que o caminho abandonado não criará mais dificuldades da próxima vez estando coberto de mato e impedindo a passagem?
Quanto tentamos reconstruir ou reformar os nossos caminhos, pagamos o preço do abandono, é menos trabalhoso nos dedicarmos sempre do que um dia precisarmos abrir a duras penas o caminho já fechado pelo abandono.
Ai voltamos aos amigos paisagem. Podemos contar com eles nessa empreitada? Você dividiria com eles os atalhos de sua vida? Os segredos do caminho? Eles estariam dispostos a te ajudar a superar os obstáculos?
Provavelmente não, e não é culpa deles. Na dinâmica da vida alguns amigos paisagem se tornam amigos e até se tornam família, mas é um filtro bem fino, bem apurado, como as peças de nosso guarda roupa, nem sempre cobrem todas as ocasiões, não é de bom senso ir de biquíni para o trabalho.
Portanto, cuide bem de seu Eco sistema, dedique seu tempo a cada pilar que mantém sua vida de pé, mesmo que em algumas ocasiões tudo pareça tão chato e difícil, você precisará fazer escolhas que resultem em equilíbrio e, consequentemente, felicidade.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

O que nos guia?

A gente sempre acha que sabe o que nos motiva, o que desejamos, acreditamos piamente em nossos objetivos, convicções.
Mas ainda assim nos flagramos infelizes, frustrados, talvez não de todo, mas sempre surge uma nódoa.
Conscientemente fazemos escolhas que acreditamos serem as corretas, mas silenciosamente outros processos se dão, nem sempre na mesma direção das escolhas feitas.
Racionalizamos a vida, as escolhas, mas dentro de nós outros processos, talvez mais lógicos e verdadeiros, se dão.
Olhe a sua volta, se quiser, tente viajar pra dentro de si, veja quantas contradições.
Você vê pessoas vendendo idéias, convicções, tentando passar uma imagem, mas vira e mexe uma atitude denúncia uma fissura na construção.
É fácil entender, afinal vivemos um mundo onde a imagem se tornou mais importante do que se é de fato.
Você precisa ter uma imagem que é aceita, compatível com as expectativas de um grupo, mas e por dentro, qual é a realidade?
Nós tentamos nos prender a algum projeto, ter algum objetivo, mas só estamos escondendo a realidade, camuflando o que de fato sentimos e queremos.
O mais engraçado é que nem sempre isso é consciente, quem nunca ouviu falar em subconsciente?
Tem várias definições possíveis e eu não quero oferecer uma nova, não tenho essa pretensão (talvez subconscientemente eu queira ter uma definição arrebatadora e definitiva).
Fazemos escolhas baseados num argumento, mas subconscientemente o argumento é outro.
Quando adolescentes, onde ainda não somos tão bons em disfarces, inventamos mil desculpas esfarrapadas pra estar com alguém, seja pra pegar um livro emprestado ou pra perguntar algo banal, mas no fundo queremos criar uma situação quem mal entendemos e sabemos lidar.
Amadurecemos, aperfeiçoamos os disfarces, mas continuamos tomando decisão acreditando conscientemente em algo, mas subconscientemente o que desejamos é outra coisa.
É nossa natureza nos impulsionando, por mais vestimentas sociais, ainda existe dentro de nós um ser que quer ser livre, sem imposições, que quer seguir um caminho próprio.
Por mais terno e gravata ou tailleur que usemos, existirá dentro de nós alguém que se sente escravo destas formalidades.
Não que tenhamos uma selvagem dentro de nós, mas muitas vezes a formalidade tira a doçura da vida, acinzenta as cores, ameniza os aromas.
Queremos abraçar sem olhares críticos, queremos dar opinião sem sermos julgados, queremos amar e sermos amados sem nos preocupar com máscaras, tendo a certeza de que pelo menos delas estamos despidos.
É tão óbvia a ação do subconsciente em nossas vidas que o resultado disso é a desconfiança, a frustração, a insegurança.
O que podemos assegurar como autêntico?
Vejo gente fazendo escolhas que me frustram, tentam em vão me convencer dos motivos, mas são tão óbvias as motivações secretas. Nem creio que tentam nos enganar, porque é evidente o quanto se enganam.
Claro que corremos o risco de nossas próprias convicções estarem erradas, e a outra pessoa sim estar com a razão.
Mas muitas vezes as coisas são tão evidentes, as máscaras são tão imperfeitas, que é até difícil crer que a própria pessoa não vê.
Você sabe que vão se machucar, algumas vezes você deixa, é preciso.
Usam um termo para o fracasso: “Quebrar a cara”.
Só que junto com a cara vai a máscara, e é bom deixar as pessoas quebrarem a cara, afinal, nada mais útil para acordar para a realidade e as armadilhas do subconsciente do que umas quedas, uns bons tombos.
Mas algumas vezes você quer tão bem a essa pessoa que você tenta de todos os modos segurar-lhe a mão.
Se para a maioria você acha conveniente deixar “quebrar” a cara, para alguns você quer estar do lado, você faz de tudo até mesmo “quebrar” a cara junto.
É bom lembrar que escolhas erradas podem nos distanciar muito da nossa felicidade, mas escolhas devem ser respeitadas, assim como raras exceções devem ser aceitas, afinal, amar está acima de qualquer coisa, e dificilmente se abandona quem se ama.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

O Xadrez da vida.

Viver é um jogo de xadrez.
Quantas vezes ouvimos isso? Muitas.
Mas não é que faz sentido?
O estilo que adotamos define os resultados que obtemos.
Se abrirmos o jogo sem pensar, deixamos as portas abertas para ataques furtivos ou até mesmo mortais.
Se pensarmos demais em defesa, estaremos sempre sob ataque.
Se pensarmos de maneira imediata deixamos sempre algo desprotegido para eventuais ataques.
Se soubermos todas as estratégias de início do jogo mas não soubermos finalizar logo estaremos perdidos.
Se nos especializamos em finalizar, poucas vezes teremos chance de aplicar esse conhecimento já que podemos perder o jogo no início.
Se capricharmos demais no meio do jogo, corremos o risco de ficarmos sem saídas.
Xadrez não se assemelha a dama já cada peça cumpre uma missão, cada peça tem valor fundamental pra condução do jogo.
Não tem como menosprezar o valor e a eficácia das peças e seu potencial, sejam as nossas, sejam as do adversário.
Xadrez exige paciência, observação.
Exige percepção de oportunidade.
Exige capacidade de enxergar mais à frente.
Buscar fragilidades no adversários sem deixar ele perceber as nossas.
Muitas vezes é necessário sacrifícios importantes para alcançar nossos objetivos.
É preciso atenção contra o blefe, armadilhas, ofertas generosas.
Existe um único objetivo no xadrez: o Rei.
Não tem como mudar esse objetivo, não tem como eleger objetivos em detrimento do objetivo principal.
Pois é, quanta semelhança com a vida.
Observando mas atentamente o xadrez, aprendemos algo mais, não existe inimigo, do outro lado existe alguém que respeitamos, que procuramos conhecer, observar, aprender.
Existe até admiração.
Muitas vezes vivemos a vida como quem joga dama, damos valor igual a tudo, não temos um objetivo real, cumprimos meros rituais que se repetem sem inovação a cada “jogo”.
No entanto, viver é contar com o inesperado, com situações complexas, não existe simplificação que caiba numa única definição ou condução.
A cada ação, uma série infinita de opções novas se abre, tentar prever as mais viáveis é o que está ao nosso alcance.
Vivemos emoções diversas, de tensão à euforia.
Viver tem alguns dos encantos do xadrez, desejar que a vida seja um jogo de dama, como toda sua simplicidade ou, pior, tentar fazer da vida um jogo de dama pode te tirar o melhor da festa.
Apreciar o resultado de cada ação e os possíveis desdobramentos é algo único, encantador.
Não existe derrota quando se joga bem, existe aprendizado.
Você se levanta, cumprimenta seu “adversário”, sorri gentilmente e repassa todos os belos momentos da partida anterior.
Solta um sorriso ao perceber o erro que te levou a “derrota”, absorve e aprende, se torna um “jogador” melhor.
Seu adversário te observa e pensa: “Na próxima terei mais trabalho”.
O que faz um melhor que o outro é o aprendizado, a dedicação, o exercício da paciência, de saber medir os passos, saber alternar o ritmo, saber respeitar a complexidade do “jogo” e amar estar ali vivenciando tudo, percebendo todas as nuances do que tem em volta.
Evidentemente viver é muito mais do que um xadrez, não passamos horas sentados avaliando os próximos 20 movimentos, viver é jogar xadrez na montanha russa e não há nada comparável.
Não estou tentando resumir a vida a um jogo, até por que esse é o pior modo de encará-la. Mas se em tudo na vida podemos tirar lição, é com gosto e admiração que busco num jogo milenar referências tão interessantes. E sim, eu amo xadrez.
Viver com sabedoria aproveitando tudo que a vida oferece é algo sublime.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Deus não dá asas à cobra...

Algumas vezes fazemos tudo certo, perfeito mas não alcançamos o que era esperado.
Apesar do capricho e dos cuidados no passo a passo para alcançar determinado objetivo, nada conseguimos.
Ai vem aquela sensação de injustiça, raiva, até ódio da vida e de todos.
De fato poucas coisas são tão ruins quanto a sensação de derrota quando sabidamente fizemos tudo certo.
Mas...
Nem sempre é possível ganhar, por vezes é bom enxergar além de nós mesmos para compreender os fatos, às vezes o que é justo é algo bem maior do que imaginávamos, às vezes na busca de uma oportunidade para nós conseguimos uma oportunidade para alguém que precisava mais, até estava mais ameaçado.
Tudo bem, nem sempre é assim, muitas vezes injustiça é injustiça e pronto. Surge de alguém que se incomoda com nosso crescimento, nosso sucesso ou por simplesmente ter motivos para “privilegiar” outras pessoas.
Além de todas essas questões óbvias que não enxergamos na cegueira da ira, tem uma mais divina: “Deus não dá asas à cobra...”
Muitas vezes uma perda aqui ensina muito sobre como agir diante de situações parecidas, muitas vezes um recuo hoje significa ter condições de aproveitar uma oportunidade maior lá na frente e, certamente, algumas derrotas impedem que nos tornemos arrogantes, convencidos, cheios de mais da própria capacidade.
Às vezes é bom levar uma chinelada hoje para moderar nosso apetite, nossa conduta, muitas vezes seguimos um caminho de vaidade sem perceber, nossos gestos estão carregados de soberba e isso afeta, sem dúvida, nosso sucesso.
Evitar isso é sempre importante, não que façamos de maneira consciente, muitas vezes é até involuntária, mas fazemos.
Vitórias são deliciosas, mas também são transformadoras, e para quem não sabe lidar elas só trazem problemas.
Acredito piamente na justiça, nem sempre ela vem no nosso tempo, nem sempre ela acontece diante de nossos olhos, nem sempre ela parece proporcional por nosso ângulo pessoal, mas não resta dúvida de que a justiça sempre se fará.
É bom pensarmos nisso tudo antes de nos sentirmos derrotados, os ganhos de uma derrota podem ser bem maiores do que a vitória intencionada, devemos esperar a recompensa, a justiça por que ela certamente vem no tempo certo, nem sempre no nosso tempo, mas já que a vida é um aprendizado, ergamos a cabeça e sigamos em frente com mais esse ensinamento por que, desde que mantenhamos a conduta correta, chegaremos até nossos objetivos.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Pequenos pecados.

Você já foi vítima dos pequenos pecados? Aquele comentário distraído de um amigo que te magoou, aquela fechada no trânsito sem querer, aquele desprezo inocente da pessoa amada?
É engraçado como viver envolve o risco de errar, erros que nem percebemos, que por algum motivo fere alguém mas nem nos damos conta.
Por vezes provocam reações extremas, radicais, mas a ação que deu origem nem ao menos é perceptível para quem as comete.
Dirigindo nas estradas você vê algumas barbeiragens, típica de distração ou mesmo falta de habilidade, mas que muitas vezes causam acidentes graves.
Fico imaginando quantos acidentes graves são provocados por manobras distraídas de pessoas que chegam em casa satisfeitas com a viagem tranqüila que acabaram de fazer, desconhecendo o estrago que deixaram pelo caminho.
Alguns fatos da vida podem ser assim resumidos, personagens de pequenas manobras distraídas que causam grandes estragos mas que nossa inocência permite manter a paz em nossa cabeça e a consciência tranquila.
De vez em quando um amigo, um colega, uma pessoa da família nos trata diferente e a gente nem desconfia sobre o motivo. No emprego, quantas situações criadas que afetam nosso destino, pelo menos o imediato, por ações inocentes.
Quantas impressões causadas, quantas certezas criadas, quantas convicções desfeitas ou afirmadas por uma frase dita, um gesto rápido, um movimento brusco?
É muito difícil se policiar a esse nível, talvez o melhor a fazer seja compreender quando somos as “vítimas” dos pequenos pecados.
É inevitável que no decorrer da vida se cometa uma série infindável de pequenos pecados, mas eles só se tornam grandes pecados conforme a leitura que se faz.
Talvez seja oportuno perdoar aquela frase dita num momento de estresse, aquele atitude brusca num momento de doença, a percepção de sermos ignorados quando a outra pessoa esta atribulada ou mesmo perdoar aquela distração de quem está cansado.
Isso não justifica, obviamente, gestos e atitudes intencionais, premeditadas, estamos falando de pequenos pecados, os cometidos inocentemente.
Como é usual na justiça, o dolo e a culpa, são coisas distintas, nem sempre temos a intenção de magoar, ferir, desagradar, fazemos isso em pequenos deslizes, imperceptíveis deslizes.
Também não se inclui nesse grupo o deslize freqüente, a brincadeira desagradável e persistente, o gesto grosseiro e repetitivo.
Julgamos o que é habitual e perdoamos o que foge a ele, se assim não agirmos, corremos o risco da injustiça, de cometermos um erro maior do que aquele que condenamos.
Escrever, por exemplo, é sempre assustador, por que você se coloca ao julgo do leitor, nem sempre o leitor é respeitoso ou mesmo bondoso com seus erros, equívocos, deslizes. Muitas vezes ele faz questão de encontrar algum motivo para criticar (dizem que os críticos ficam na posição confortável de criticar justamente por não serem autores de nada que possa confrontá-los).
Conheço tanta gente que deixa de expor o que pensa por medo dos julgamentos, por que sabem que pequenos pecados podem ganhar dimensões elevadas nas mãos dos críticos oportunos.
É, mundo complicado onde temos que nos policiar tanto, onde não podemos contar com a compreensão alheia.
Bom, tentarei fazer minha parte, tentarei me policiar não nos meus gestos, mas na forma que avalio os gestos dos outros. Claro que correrei riscos de, por distração, me exceder em algum julgamento, mas espero que também me perdoem, já anda tão difícil viver, é tão bom se permitir ao menos os erros leves.
Quem sabe seja um começo e os que leram meu texto acabem por perdoar os pequenos deslizes de alguém que tenta passar para as palavras o que pensa?

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Saúde...

Na virada de ano costumamos desejar de maneira sincera a todos os entes queridos que tenham saúde, considerando que mais do que dinheiro ou qualquer outra coisa, só com saúde tudo se torna possível.
Em suma, é a saúde o que nos permite alcançar nossos objetivos.
Mas fica a pergunta: Porque na virada de ano ela é tão importante e nos esquecemos dela nos outros 364 dias?
Muitas vezes as coisas vão mal no trabalho, dentro de casa e não percebemos que é nossa saúde que pede cuidados. Reclamamos de tudo, encontramos culpados, nada parece render e ainda assim nem um olhar mais atento pra dentro de nós.

Voltando a virada de ano, se observarmos bem saúde é um conceito que funciona relacionado aos outros, enquanto externamos desejos de saúde, na nossa cabeça temos mil planos pessoais e em nenhum está um maior cuidado com nosso corpo e mente.
É a velha visão adolescente, somos infalíveis, imortais, acima do bem e do mal? Nada nos afeta, somos predestinados ao sucesso, uma máquina azeitada para atingi-lo e se acaso não acontecer, são fatores externos e não falha na máquina?
Uma palavrinha que se tornou habitual em nosso vocabulário: manutenção, algumas vezes combinada com a palavra preventiva.
Carro, equipamentos eletrônicos, casa e etc. Quando não é necessária a manutenção, fazemos a troca. Agora, nosso corpo, em que categoria se enquadra? O que necessita de manutenção ou a que permite troca?
Alguns dirão que não tem tempo, eu diria que uma máquina bem azeitada é tão produtiva que sobra tempo e disposição para tudo.
Outros dirão que detestam médicos e o ambiente que os cercam, pois é, eu também, confesso que não sou exemplo de “paciente”, mas tenho que humildemente aceitar que é necessário ceder.
Outros dirão que nada sentem, que tudo está bem, que é só um período negativo e que logo as nuvens negras irão embora e tudo ficará bem.
Isso sem falar nas justificativas sobrenaturais, nos ensinamentos de Buda, Confúcio ou outro sábio que vem tão bem a calhar, nos livros de auto-ajuda que surgem nas cabeceiras ou na famosa intuição que diz que algo bom logo virá.
Homeopatia, aculpuntura, curanderismo, alopatia. A milênios alguma forma de medicina, conforme a época e/ou cultura, diz que o fundamento de nosso sucesso está nos cuidados com o corpo.
Só para citar um exemplo, alguns especialistas dizem que o sucesso da seleção brasileira que chegou ao tricampeonato mundial se deve aos cuidados com os dentes. Pois é, eram os dentes mal cuidados que comprometiam o desempenho de nossos atletas, a partir do momento que passaram a cuidar, a seleção atingiu seus objetivos como tão bem conhecemos. Será?
É inquestionável o talento acima da média das três seleções que nos deram o tricampeonato, mas de fato devemos considerar que talento sozinho nem sempre resolve e estar gozando saúde plena permite que nosso talento seja usado ao limite.
Duas das medicinas citadas acima são conhecidas por valorizar o todo, não buscam tratar o problema em si mas as possíveis origens e ganham pacientes fiéis em virtude de seu zelo e sucesso no tratamento. Mas uma vez voltamos a lógica de que cuidando aqui, ganharemos acolá.
Parece que tudo na vida está associado como numa corrente, elos fracos afetam a corrente.
O corpo humano é a máquina perfeita (vaidade típica da espécie), como máquina vez ou outra exige recall, manutenção, cuidados. Como máquina dá sinais exteriores de que algo vai mal, sinaliza que uma das engrenagens vem afetando o restante.
Mas por que não conseguimos enxergar assim? Por que rejeitamos essa verdade absoluta?
Acho que tem uma hora que precisamos mudar alguns conceitos e encarar de frente nossas reais necessidades, já dizia Paulo Cintura – “Saúde é o que interessa, o resto não tem pressa” – para aproveitar melhor o potencial de nossa “máquina”, vamos cuidar melhor dela?
Acho que é um bom momento para encontrar um espaço na agenda para nosso médico, quem sabe para aquele exame engavetado, quem sabe o nobre leitor ou leitora terá mais paciência na próxima vez para ler meus textos longos até o fim.
:-)