quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Eu sou feito de Você

Hoje me deu vontade de escrever, de ver quem vem aqui me ler, comentar... O tal feedback, na maioria das vezes, é mais interessante do que a publicação em si.
O legal é vc ler algo publicado anos atrás, é meio parecido com rever uma foto antiga, ou nem tão antiga... E se surpreender com as mudanças pouco notadas.
E textos são isto mesmo, fotos de um momento, de uma fase... E marcos do tanto de pessoas que passam por nossas vidas.
Já notou que somos um consolidado de "presenças"?
Por exemplo, vc talvez conte uma piadinha que aprendeu com alguém que nem se lembra mais... Ou um de suas célebres frases de oportunidade tenha surgido numa roda de amigos que o tempo esvaneceu.
Ou seja, por piores que tenham sido as rupturas, se ocorreram, vc ainda é composto por elementos da convivência.
É algo que jamais nos damos conta, ao menos não dimensionamos com a devida justiça, mas somos influenciados e influenciamos... Trocamos "matéria"... Por vezes boas, por vezes ruins...
Claro  que tem outro fator, o tempo... É como receita, algo cru se torna algo delicioso desde que sob as devidas condições de maturação, preparo. E vice versa.
Então, não existe só o "Eu", é provável que vc que lê agora tenha maior participação do que imagina na ideia por trás de um texto que leu e gostou (ou não).
Não a toa a gente se vê tanto nas coisas alheias, vem de todos os lados a "matéria" que nos compõe...
Simbiose?
Seja lá o que for, que nome quiser dar, que analogia quiser fazer, mas vc está aqui, em algumas palavras, em algumas decisões, que muitas lembranças.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Falsa Cordialidade

Já deve ter acontecido contigo... Vc numa fila, num corredor de supermercado, pronto pra tirar uma foto do filho na apresentação da escola... E chega alguém e age como se vc não existisse. No primeiro momento vc se incomoda com a grosseria, mas a pessoa, em algum momento, se toca do que fez e se desculpa, bem depois do estrago feito.
Cabe refletir, afinal, a boa cordialidade se dá bem antes, quando vc se policia, quando vc zela e respeita.
Cordialidade é ação, não reação.
Claro, antes se corrigir do que prosseguir no erro. Mas é tão comum o desculpar, pós dano causado, que penso como, na repetição, não se aprende.
Evidente que acontece, muitas vezes, por distração, mas a ausência de um freio prévio, de perceber como sua atitude invade direito alheio, é reveladora sobre quem somos.
Mais revelador ainda é a reação das pessoas com atitudes cordiais, banais que sejam, como ceder lugar, abrir espaço, aguardar, alertar, ajudar... As pessoas se assustam diante do "inesperado". Digo mais, algumas até desconfiam...
Fico pensando até que ponto devemos nos permitir à distração, por exemplo, dirigir com metade da velocidade recomendada para uma pista, sem perceber o frenesi que provoca logo atrás, conversar alto (muitas vezes revelando coisas que não devia) em ambientes mais reservados, se livrar de lixo na rua só para desocupar as mãos, fora os citados acima.
Quem é grosseiro, é e sabe disto, faz disto sua postura.
Mas aquele que tem noção e se descuida, se podemos chamar assim, que se repete no equívoco sem jamais aprender com isto, me causa especial interesse. Existe uma vantagem no distraído, mesmo com o ônus, eventual, do constrangimento. Então, pq não? Pra que se policiar? Pra que pensar antes se pode corrigir depois? Se vc é feliz, se consegue tirar aquela foto legal na festa da escola, se consegue pegar aquele último docinho antes que acabe, se foi atendido rapidamente... A vida deve parecer boa o suficiente pra não justificar mudanças, não?
A falsa cordialidade.
Como dizem, de boas intenções...
Tem um velho ditado que diz: "Quando apontares um dedo, lembre-se, outros quatro apontam pra si..."
É uma frase que me assombra, talvez por isto vejo com extremo cuidado quem age assim, os efeitos que causam... Não somos imunes, claro, mas podemos ficar atentos... Podemos ser o beija-flor contribuindo com algo maior.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Sou do Tempo...

Sou do tempo que redes sociais eram os papéis. Ali vc compartilhava seus desenhos, seus textos, suas poesias...
Qualquer papel servia, quem nunca ouviu falar do famoso papel de pão? De letras escritas em guardanapos?
Sou do tempo que a gente gostava de compartilhar, de ouvir histórias, de aprender...
Ninguém se preocupava em lacrar, em buscar entrelinhas para criticar, se estava ou não dentro do politicamente correto. Não existia marra (nem a palavra e nem o significado). Se alguém discordasse, se conversava.
Sou do tempo que a gente cometia erros, muitos. Que se ficava de mal, sem se falar.
Mas um tempo tb que se buscava o perdão, o retorno da amizade, a conversa.
Sou do tempo que a gente ficava na calçada até altas horas da noite... Conversando.
Um tempo que rapazes e moças conviviam, que era mais importante ser do que parecer. Onde as ideias e a amizade tinham valor. 

Não é um tempo tão distante, mas algo foi se perdendo e rapidamente. E a individualidade se tornou mais forte que o todo. Pq, no fundo, se trata disto.
Não que tudo fosse perfeito, nosso sonho era que o futuro fosse melhor, que não haveria violência, que haveriam mais oportunidades, menos ameaças, etc... Inocentes, eu sei.

Se diz que somos formados em caráter e convicções pelo que vivemos na juventude, quem dera, basta ver como a educação se perdeu mesmo entre os mais velhos, como a cordialidade se encolheu em algum canto, como o fino trato é coisa de livro antigo. Sim, somos fortemente contaminados pelo tempo que vivemos. Só não podemos deixar que contaminem tb nossas lembranças, como muitos tentam fazer, desqualificando o passado (não tão passado assim).

Se quer um registro de época, basta ver que músicas faziam sucesso em por qto tempo duraram. Pode não confiar no método, mas seus ouvidos agradecerão.
Outra abordagem é observar que uma das séries de maior sucesso na atualidade, Stranger Things, é ambientada nos "ingênuos" anos 80, principalmente na composição dos personagens e suas interações.

Talvez exista um mundo paralelo onde os sonhos tenham se realizado, o mundo tenha se tornado um lugar ainda melhor e as pessoas tenham se aproximado ainda mais. Pena que não tenhamos tido a chance de escolher em qual mundo seguir.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Tempos Modernos

É tentador se aventurar aqui a comentar os assuntos polêmicos da temporada, eles se sucedem de tal maneira que fica difícil acompanhar, mas dão bons cliques.
Na realidade, o que se sobressai de tudo isto é como se toma como verdade pra si algo que nem se deu ao trabalho de ler. Veja, falo de assumir como verdade pessoal e individual.
E se compartilha, se muda avatar em rede social, escreve textão, se repete com absoluta convicção aquilo que os outros repetem, no entanto, sem entender de fato do que se trata.
E isto é bem mais perigoso do que se pensa, fora ilustrar uma sociedade que não pensa, mas age por manada.
Dois jovem próximos foram associados à crimes que não cometeram, tiveram suas fotos e redes sociais compartilhadas e sofreram ameaças das mais variadas, um deles estava somente levando currículo para uma loja e teve a infelicidade de cumprimentar um dos "bandidos" de verdade, que por acaso conhecia de vista.
Anos atrás, bem antes da existência de internet e redes sociais, tivemos o caso da Escola Base, em São Paulo (me corrijam se algum dado estiver errado), onde um boato fez crer que os proprietários eram pedófilos, lembrando que os alunos tinham, salvo engano, menos de 10 anos. Dá para imaginar os efeitos, mas recomendo uma breve pesquisa que serve pra alertar sobre os riscos de "comprar" qualquer ideia.
Mais recentemente tivemos o caso de uma mulher morta por populares no litoral de São Paulo, vítima de um boato mal intencionado.
Poucos meses atrás situação semelhante ocorreu no Rio, por conta de um boato espalhando por uma rival, que só não terminou em morte por sorte e pela rápida intervenção da polícia.
Estamos falando de efeitos físicos, morais e emocionais, alguns danos não se corrigem, não são sanados.
É legal posar de defensor de uma ideia que garanta cliques e curtidas, ao menos na ótica de quem vive em função de redes sociais, mas existe muito mais conteúdo e informação para se compor uma verdade.
Me lembro que anos atrás era comum parar em bancas de jornais para ler as manchetes, jornais largados em bancos da condução eram disputados à tapa. Ainda assim, não se tratava do todo de uma informação, fora que hoje os jornais encolheram, se adaptando a leitura dinâmica, "fast food" dos tempos modernos.
Certamente a culpa não é da internet, mas do seu uso inadequado, agora mesmo recomendei usa-la para pesquisa.
Vivemos tempos de polaridade, onde a boa conversa fica em segundo plano, vivemos tempo onde só se aceita os que concordam, até comercial de cerveja já reconheceu o fato.
Seriam tempos melhores se retomássemos a boa conversa, a troca de ideias e opiniões, subsidiadas em informações, em leitura, em conhecimento.
Sou do tempo que se aprendia muito conversando, ouvindo. Então me assusta ver o que o mundo vem se tornando.
Tb dos velhos tempos haviam as "pílulas de sabedoria", sim, era possível passar sabedoria em pequenas frases, ditas por alguém num momento inspirado. Mas não existe "pílulas de conhecimento", isto não, não tem como se saber tanto em 140 caracteres, em uma mensagem compartilhada por desconhecidos em grupos do zap ou por textões que muitas vezes nem se sabe a real autoria, basta lembrar dos "famosos" textos de Luis Fernando Veríssimo e outros tantos autores, prática que ainda persiste pra envernizar conceitos.
Outra sugestão, para encerrar, pesquise sobre robôs da internet, scripts feitos para gerar informação em massa para atingir ou promover alguém, uma verdade ou uma mentira, um fato ou um boato. E não pense que é ficção, talvez vc só esteja compartilhando algo produzido por uma máquina e nem sabe, tudo pq não perdeu seus preciosos minutos pra conhecer mais profundamente os fatos.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Velas que se apagam

Tudo que vc faz aos montes não esconde aquilo que vc perde aos poucos.
Por mais que vc fuja, sempre haverá um monstro a te perseguir, um monstro que vc fez nascer e alimentou.
De que adianta fazer mil velas, se a que importa se apaga?
De que adianta plantar mil alqueires se aquilo que te alimenta morre por abandono?
Temos tantos medos que deixamos de viver, de viver um segundo que seja de felicidade.
Buscamos às sombras, abandonamos a luz, o calor, pra que?
Costumamos abandonas as coisas como se isto facilitasse à caminhada, até descobrirmos que era a bagagem necessária pra chegar onde queríamos.
Por quanto tempo ainda vamos fazer as escolhas fáceis, convenientes? Por quanto tempo vamos criar histórias para nos manter na zona de conforto?
Viver é errar, se temos medo de errar, temos medo de viver, é impossível desassociar.
O problema de manter as mão estendidas à espera de alguém que pegue é que um dia o braço cede ao cansaço, e é preciso seguir, numa caminhada onde dois perdem, dois se entristecem.
Nada que vc faça fica só consigo, sempre seus atos afetarão alguém, mesmo a ausência de atos.
Não acredite que pode de fato inexistir.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

O Apequenar

Algumas vezes as coisas parecem meio confusas, de difícil explicação. Em busca de respostas que nunca chegam, desistimos de seguir em frente. Mas será que no fim não é mais do mesmo?
Nossa vida toda é feita de conflitos, de tomadas de decisão, de medos, de avanços e recuos. O que queremos nem sempre é o que podemos e nos tornamos exímios artesões na arte de fugir, de criar desculpas.
Os conflitos são de tal ordem que até as atitudes são conflituosas, por exemplo, pessoas inteligentes e espertas acabam agindo de maneira infantil, desordenada, mas não pq de fato sejam assim, mas pq é a rota de fuga mais segura, o famoso se fazer de bobo, só que pra nós mesmos.
A pergunta é: será que não é possível conciliar?
De novo usando os exemplos de nossas vidas, tudo no começo é confuso, parece que não daremos conta, mas com o passar do tempo, se torna natural. Medo? Sempre tivemos de quase tudo, mas superamos, não?
Somos capazes, basta querer e se permitir.
Qual a receita? A mesma de sempre, fazer tudo com calma e cuidado.
O problema é que quando envolve sexo, tesão ou só alguma intimidade, algumas travas de segurança se desarmam facilmente, ficamos abobalhados, descuidados.
Mas acreditar que será sempre assim é como acreditar que vai escorregar na casca de banana assim que vê uma.
Sejamos justos conosco, somos sim capazes de viver situações inusitadas, excepcionais e colher delas o melhor que há sem comprometer a vida que levamos. Em todos os exemplos negativos que vc possa apurar, haverá o descuido, a irresponsabilidade, a imaturidade. Mas exemplos servem pra isto, para ensinar o caminho das pedras.
Evidentemente falo aqui das coisas que realmente valem a pena, daquelas que são excepcionais, das que nos tornam maiores e mais felizes. Pq outro grande pecado é aceitar o pouco, o que não está na nossa altura. Mas não é tão difícil assim saber o que é justo pra nós, basta ter amor próprio, se gostar.
Não podemos é nos limitar, isto nunca. Se quer a excelência da vida, busque, supere o medo, faça do modo certo.
Não acredito que devemos nos apequenar e nos resumir só pq nos sentimos incapazes ou não merecedores de ter mais.

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Tempos Estranhos

Antes, cabia aos pais educarem, hoje, são reféns dos filhos.
Antes, as escolas tratavam com os pais, hoje, atendem às vontades dos alunos.
Com quem fica, hoje, o papel de educar?

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Parece que foi ontem...

Quando a internet surgiu, era tudo a cabo, vc tinha que escolher entre telefone e internet, tinha os melhores horários, não haviam portais, praticamente tudo se resumia a bate papo, pra baixar música levava coisa de mês, um grande HD era menor do que um pendrive de hoje, mas podia usar disquete e CD regravável (um tempinho depois), e fazia malabarismo com arquivos "grandes" tipo fotos.
Tinha até tema musical: o som da discagem.
Logo começaram os portais, ler notícia na tela do computador, mesmo que demorasse pra carregar toda página, veio o Orkut que era um upgrade em relação ao ICQ, MSN e salas de bate papo. Orlut, a primeira vitrine virtual, no começo, de idéias, depois...
Logo os blogs se popularizaram, mandar piadinhas e correntes por e-mail, ficar feliz quando subia a janelinha do contato do MSN...
Começava o tempo da banda larga... Smartphone... Da onipresença virtual...
Se no começo de tudo  éramos personagens, loiros de olhos azuis, logo começamos a nos expor, idéias, pensamentos, curiosidades, verdades, mentiras... Até tudo descambar pra troca de insultos.
E o caminho de volta começava, agora do virtual pro real, desfazendo amizades, estimulando conflitos, fobias de todo tipo, nosso pior ganhou forma.
E tudo no mesmo espaço, pq cada um dos avanços da internet mencionados acima, migrou de alguma forma pro Facebook.
Blogs agora são textões, notícias são links e postagens (verdadeiras ou não), bate papo, álbuns de foto, músicas, piadas, correntes, estado civil, estado de humor...
Uma bolha que te expõe ao todo, ao completo.
Ao invés de se expandir, tudo acabou dentro de uma rede social.
Twitter, Zap, Instagram... Textos curtos, rápidos, instantâneos como os próprios nomes sugerem.
Antigamente, pra fazer uma foto, se perdia um tempo pra todo mundo ficar na pose certa, enquadrado, agora uma pose e sorriso saem num segundo, mesmo a menina emburrada e acabrunhada consegue em milésimos de segundo fazer a pose padrão de selfie.
Legal como nos tornamos reféns dos outros, da imagem que vendemos aos outros...
Prefiro continuar sendo um homem da caverna, eventualmente postando aqui... Meus textões... Se bem que tem os adeptos do vinil, da máquina de escrever... Só não da fotografia de filme pq quase não existem laboratórios.
Bons tempos... Saudosismo do que foi ontem...

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Jogos.

Aproveitando a Olimpíada para constatar como somos torcedores na política. O jeito extremado, emocional, por vezes violento de torcer por seus" ídolos", "times".
Só que, diferente dos ídolos e times, não temos heróis na política. Não nos representam, não representam o povo brasileiro, não nos enchem de orgulho.
Com sorte vc vai votar num que não te faça sentir grande vergonha, que passe incólume por um mandado sem trair seu voto.
Todos, no fim, jogam no mesmo time, mesmo que vistam "camisas" diferentes, tem objetivos em comum.
Todos? De certa forma sim, é regra básica da convivência, da auto defesa, logo vão estar defendendo um "irmão", protegendo ou se abstendo de se posicionar.
Comparados com atletas, jogadores, times, nações; não passam nem perto. Não possuem identidade com o que representam, não querem o ouro simbólico, não querem alcançar objetivos através da luta, esforço, dedicação, humildade e sim pelos atalhos.
No entanto, distantes que estejam do verdadeiro heroísmo, contam com torcidas inflamadas, defesas emocionadas. Pra quê?
De repente vc começa a agir como eles, enxergando só o que é conveniente. Defeitos? Só nos outros.
Todos agem da mesma maneira, mas meu verde é mais verde do que lá. 
E a necessidade de "vitória" é tanta, e tão cega, que qualquer minúscula situação ganha contornos de batalhas épicas, o cara que estacionou na vaga de deficientes mas tinha um adesivo de tal "time", já é logo alçado ao posto de representante mor do inimigo: "Vejam, é assim que eles agem..."
Como no esporte, alguns honram e outros não a camisa que vestem. Alguns tem comprometimento e outros não. Nossos heróis esportivos são os que honram, os que representam, os vitoriosos, não só de medalhas, mas de exemplos.
E toda análise se torna rasteira, e toda distorção se torna possível e aceitável. Justiça? Coerência? Pra vencer o jogo vale tudo.
E das "arquibancadas", entramos em campo, jogando tão sujo qto eles.
Serão dignos, realmente, de tanta dedicação? Merecedores de nossas amizades perdidas? Das noites mal dormidas? Dos ferimentos de nossas batalhas?
Ainda estamos escolhendo o menos pior, a verdade é esta.
Todos são farinha do mesmo saco, podem diferir na categoria mergulho na lama, até onde estão afundados, mas se analisarmos o conceito mais puros de ética, todos estão, ao menos, chapiscados.
Quando vc estiver torcendo vivamente pelo seu ídolo diante da tv, estiver no limiar de um ataque do coração vendo seu time jogar, compare com os "atletas" da política: Merecem vc?
Se vc ainda estiver do lado de cá, na arquibancada, cuide pra jamais acabar tb em campo, no jogo sujo.
Mantenha uma distância segura da podridão.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Alma Nua

Anos atrás, quando a internet ainda engatinhava, fui surpreendido pela notícia, em rádio, da morte de Renato Russo. Me lembro do silêncio que se fez (estava no trabalho) mesmo entre aqueles que não eram fãs.
"...É tão estranho, os bons morrem tão jovens..."
É de uma tristeza profunda quando um artista morre jovem, é quando nos damos conta de como ele nutre nossas vidas, e como nos sentiremos sem a expectativas de novas músicas ou sua arte.
Artistas que nos tocam pessoalmente, naturalmente, causa mais impacto, certamente minha história se repete com cada um, com outros artistas, outros gêneros, mas tendo em comum a ideia de rompimento de uma trajetória ainda no seu começo.
Sexta passei por isto de novo, talvez muitos nem saibam quem é, mas quem me lê com alguma regularidade sabe o quanto eu gosto de Vander Lee, músico e poeta.
Pensei em postar um vídeo, mas já postei tantos aqui, e fui absorvendo o ocorrido, vendo como são grandes perdas diante do que vemos por ai. Sim, é inevitável pensar como somos pinçados do talento de alguns enquanto outros...
Se vc não conhece Vander Lee, procure um dos vídeos que publiquei, procure por suas letras, tente ouvir um algum lugar. Afinal, o homem vai, mas a arte fica.
"...Viver menino, morrer poeta..."
Com algumas pessoas compartilhei meu gosto, é um lado bom da música boa, o assunto que surge de uma boa letra, de uma boa melodia, de ir estendendo um "tapete" de coisas boas pra servir de amparo pra amizade.
Todos nós temos uma trajetória, alguns semeiam coisas boas, distribuem luz, e toda trajetória tem seu fim, quando vem de forma natural, é mais fácil absorver: começo, meio e fim... Mas é duro e impactante, ao ponto de rever toda própria vida, quando vem com tanto ainda por fazer... 
Um dia triste, uma semana triste...
Morreu um poeta.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sonhos

"...Estranha mania de ter fé na vida..."

Eu sonho, imagino coisas, faço planos mirabolantes... Penso em coisas que parecem improváveis.
Quem há de me condenar?
Não tenho lamentos, pq sonho um sonho atrás do outro.
Alguns ganham vida, outros ganham um respiro.
Uns vêm logo, outros demoram.
Tem os que não são lá tão bonitos quando se imagina.
Outros acontecem sem nem que tenham sido sonhados.
Se me perguntar se vale a pena, claro que vale.
Se eu te contar um sonho, não se assuste, ainda é sonho... A caminho da realidade... Ou não.
Quer dividir comigo um sonho? Venha, sem pressa ou obrigação, assim fica mais gostoso. Só curta a viagem, se bobear chegamos lá.
Sonho não tem roteiro, não tem tempo de acontecer, nem mesmo personagens fixos... 
Podem ser mágicos, loucos, brincalhões, sérios, comedidos, soberbos...
Se gosto de ti, contigo tb sonho.
Sonhos são esboços da realidade... Pré projeto.
Me deixe sonhar...

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Lição...

"É a direção da vela, e não o sopro da tempestade, que determina o seu curso na vida"

Randy Davis

quinta-feira, 7 de julho de 2016

terça-feira, 28 de junho de 2016

Inexistência

Já parou pra pensar nisto? No sumir, se ausentar, passar despercebido? De fato funciona, num mundo cada vez mais preocupado com seu próprio umbigo.
Recentemente veio a notícia de um cidadão que faltou durante anos ao trabalho sem ser percebido.
Por vezes a escolha não é nossa, somos simplesmente excluídos, "esquecidos", talvez por não atendermos certos padrões.
Mas até que ponto vale ter uma vida inteira nas sombras? Nem um pouquinho de luz? De cor?
Imagino que luz e cor tenha efeito parecido com o que ocorre com vampiros, mas não mata, com certeza.
Acho que de fato a vida anda um saco, tudo muito pasteurizado, radical, extremista, sem identidade, mas será que vale mesmo inexistir de todo?
Qtas vezes uma mão se estende em sua direção e vc recusa? Qtos medos te imobilizam sendo que não resistem a um sopro de vontade?
Vc deveria se permitir, mesmo que uma vez na vida, receber algo mais, ter algo mais. Abrir uma janelinha, quem sabe uma porta, mas se reservar ao direito de experimentar a "existência".
Sabores, cores, sensações...
VIDA!!!
Ter uma foto bonita na estante, uma lembrança gostosa pra acalentar seu sono.
Nenhuma verdade é absoluta, certamente vc merece algo mais.
Se não pela ótica dos outros, se nem mesmo por sua ótica, mas haverá alguém que acredita em vc, que quer isto pra vc.
A mão estendida não vai te puxar bruscamente pra fora, mas te convida pra "conviver" numa zona segura.
Ninguém passa uma vida toda sem ser percebido, e dois inexistentes podem se completar em alguma causa.
Mas é preciso se permitir, acreditar um pouco. 
Se redescobrir.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Ir até o fim...

Em 2013 os brasileiros, quase todos, se animaram com as manifestações democráticas, o gigante havia acordado. Alguns ainda olhavam desconfiados, calejados pelo passado, imaginando que logo voltaria a dormir. Eram manifestações contra tudo que está ai, ou seja, sem alvo fixo, afinal, verdade seja dita: tudo está corrompido.
Logo surgiram os aproveitadores de sempre, os que se infiltram, os que tentam usar a massa a seu favor. Logo surgiram as cópias dos modelos importados com o pressuposto que só se consegue algo a partir da violência. E logo, tb, surgiram os incomodados com supostos direcionamentos, ou seja, não uma manifestação válida se "ataca" aqueles que defendo.
Para variar, o gigante adormeceu de novo e, tb para variar, não se refletiu nas urnas no ano seguinte.
A questão aqui é algo que toda rodinha de amigos um dia colocou em discussão: brasileiro não protesta, brasileiro é passivo, brasileiro aceita toda e qualquer sacanagem sentado no sofá.
Ainda dentro do contexto das conversas de bares, de rodinhas de amigos, se usa o comparativo de vários países, no passado e presente, que mudaram através da "revolução" popular. Primavera disto, primavera daquilo, mas nada de primavera brasileira.
Os mais antigos tb comparam nosso período militar com os dos nossos vizinhos, nossa acomodação e aceitação do modelo. Até nas diretas já, quando o congresso solenemente nos ignorou.
O gigante adormecido tem vasto álbum de fotografia, longa história e eventos desconexos, de tempos em tempos saindo pra uma caminhada mas logo voltando pro seu sofá.
Parece que isto tb se reflete na dificuldade que muitos tem em aceitar pontos de vista contrários, o exercício pleno da democracia que é, na essência, a aceitação das diferenças. Não me venham falar que nos desacostumamos por conta do período militar, lá se vão quantos anos que eles se foram? Qtas novas gerações estão por ai que mal sabem como eram as coisas naqueles tempos?
Mas, como bom gigante adormecido, nossas mais virulentas discussões acontecem do sofá de casa, através das redes sociais.
É fundamental ter em mente que toda manifestação democrática sempre será bem vinda, contra ou à favor do que vc acredita, até pq é assim que evoluímos, inclusive, como seres humanos. Ficar destilando sabedoria acima dos outros é arrogância, ouvir e aceitar é sabedoria.
Estamos vendo diante de nós a história acontecer, nenhum período da história do Brasil foi tão rico em acontecimento e envolveu tantos personagens e em tão pouco tempo. Como se diz, a República balança.
Não podemos jamais perder essa noção, não só da gravidade, mas da grandiosidade do momento, diante disto não se pode simplesmente pensar em acomodar, devemos sim deixar a história acontecer, não se faz reforma sem desconforto.
Mas começo a ver gente tendendo a buscar saídas amenas, cômodas, confortáveis. Gente que parece se incomodar com o "barulho" e prefere voltar a dormir. 
Cansei, passamos anos reclamando disto e quando uma oportunidade aparece, a velha preguiça bate? Quero que isto vá até o fim, que faça uma limpeza geral, que se registre pra história e ensine que nada disto será mais aceitável. Dirão alguns que é utopia, palavrinha conveniente pra momentos assim.
Penso que mudanças devem ter a força de trens, que sejam desgovernados no começo, mas que arrastem tudo de ruim e velho com ele. Não posso pensar só no presente e no desgaste que isto tudo representa, tenho que olhar pra trás e pra frente, pq um ensina o que devemos evitar, outro é o novo que devemos construir.
Só não podemos, de novo, nos abrigar nos sofás, voltar pras zonas de conforto usando qualquer desculpa ao alcance. 
Começamos, vamos até o fim.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Lições de um Ministro do STF

Patrono da turma de 2014 da faculdade de Direito da UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, proferiu emocionante discurso com reflexões essenciais relacionadas à vida e ao Direito. 

Confira a íntegra do texto.
__________
A vida e o Direito: breve manual de instruções
I. Introdução

Eu poderia gastar um longo tempo descrevendo todos os sentimentos bons que vieram ao meu espírito ao ser escolhido patrono de uma turma extraordinária como a de vocês. Mas nós somos – vocês e eu – militantes da revolução da brevidade. Acreditamos na utopia de que em algum lugar do futuro juristas falarão menos, escreverão menos e não serão tão apaixonados pela própria voz.

Por isso, em lugar de muitas palavras, basta que vejam o brilho dos meus olhos e sintam a emoção genuína da minha voz. E ninguém terá dúvida da felicidade imensa que me proporcionaram. Celebramos esta noite, nessa despedida provisória, o pacto que unirá nossas vidas para sempre, selado pelos valores que compartilhamos.

É lugar comum dizer-se que a vida vem sem manual de instruções. Porém, não resisti à tentação – mais que isso, à ilimitada pretensão – de sanar essa omissão. Relevem a insensatez. Ela é fruto do meu afeto. Por certo, ninguém vive a vida dos outros. Cada um descobre, ao longo do caminho, as suas próprias verdades. Vai aqui, ainda assim, no curto espaço de tempo que me impus, um guia breve com ideias essenciais ligadas à vida e ao Direito.

II. A regra nº 1

No nosso primeiro dia de aula eu lhes narrei o multicitado "caso do arremesso de anão". Como se lembrarão, em uma localidade próxima a Paris, uma casa noturna realizava um evento, um torneio no qual os participantes procuravam atirar um anão, um deficiente físico de baixa altura, à maior distância possível. O vencedor levava o grande prêmio da noite. Compreensivelmente horrorizado com a prática, o Prefeito Municipal interditou a atividade.

Após recursos, idas e vindas, o Conselho de Estado francês confirmou a proibição. Na ocasião, dizia-lhes eu, o Conselho afirmou que se aquele pobre homem abria mão de sua dignidade humana, deixando-se arremessar como se fora um objeto e não um sujeito de direitos, cabia ao Estado intervir para restabelecer a sua dignidade perdida. Em meio ao assentimento geral, eu observava que a história não havia terminado ainda.

E em seguida, contava que o anão recorrera em todas as instâncias possíveis, chegando até mesmo à Comissão de Direitos Humanos da ONU, procurando reverter a proibição. Sustentava ele que não se sentia – o trocadilho é inevitável – diminuído com aquela prática. Pelo contrário.

Pela primeira vez em toda a sua vida ele se sentia realizado. Tinha um emprego, amigos, ganhava salário e gorjetas, e nunca fora tão feliz. A decisão do Conselho o obrigava a voltar para o mundo onde vivia esquecido e invisível.

Após eu narrar a segunda parte da história, todos nos sentíamos divididos em relação a qual seria a solução correta. E ali, naquele primeiro encontro, nós estabelecemos que para quem escolhia viver no mundo do Direito esta era a regra nº 1: nunca forme uma opinião sem antes ouvir os dois lados.

III. A regra nº 2

Nós vivemos em um mundo complexo e plural. Como bem ilustra o nosso exemplo anterior, cada um é feliz à sua maneira. A vida pode ser vista de múltiplos pontos de observação. Narro-lhes uma história que li recentemente e que considero uma boa alegoria. Dois amigos estão sentados em um bar no Alaska, tomando uma cerveja. Começam, como previsível, conversando sobre mulheres. Depois falam de esportes diversos. E na medida em que a cerveja acumulava, passam a falar sobre religião. Um deles é ateu. O outro é um homem religioso. Passam a discutir sobre a existência de Deus. O ateu fala: "Não é que eu nunca tenha tentado acreditar, não. Eu tentei. Ainda recentemente. Eu havia me perdido em uma tempestade de neve em um lugar ermo, comecei a congelar, percebi que ia morrer ali. Aí, me ajoelhei no chão e disse, bem alto: Deus, se você existe, me tire dessa situação, salve a minha vida". Diante de tal depoimento, o religioso disse: "Bom, mas você foi salvo, você está aqui, deveria ter passado a acreditar". E o ateu responde: "Nada disso! Deus não deu nem sinal. A sorte que eu tive é que vinha passando um casal de esquimós. Eles me resgataram, me aqueceram e me mostraram o caminho de volta. É a eles que eu devo a minha vida". Note-se que não há aqui qualquer dúvida quanto aos fatos, apenas sobre como interpretá-los.

Quem está certo? Onde está a verdade? Na frase feliz da escritora Anais Nin, "nós não vemos as coisas como elas são, nós as vemos como nós somos". Para viver uma vida boa, uma vida completa, cada um deve procurar o bem, o correto e o justo. Mas sem presunção ou arrogância. Sem desconsiderar o outro. 

Aqui a nossa regra nº 2: a verdade não tem dono.

IV. A regra nº 3

Uma vez, um sultão poderoso sonhou que havia perdido todos os dentes. Intrigado, mandou chamar um sábio que o ajudasse a interpretar o sonho. O sábio fez um ar sombrio e exclamou: "Uma desgraça, Majestade. Os dentes perdidos significam que Vossa Alteza irá assistir a morte de todos os seus parentes". Extremamente contrariado, o Sultão mandou aplicar cem chibatadas no sábio agourento. Em seguida, mandou chamar outro sábio. Este, ao ouvir o sonho, falou com voz excitada: "Vejo uma grande felicidade, Majestade. Vossa Alteza irá viver mais do que todos os seus parentes". Exultante com a revelação, o Sultão mandou pagar ao sábio cem moedas de ouro. Um cortesão que assistira a ambas as cenas vira-se para o segundo sábio e lhe diz: "Não consigo entender. Sua resposta foi exatamente igual à do primeiro sábio. O outro foi castigado e você foi premiado". Ao que o segundo sábio respondeu: "a diferença não está no que eu falei, mas em como falei".

Pois assim é. Na vida, não basta ter razão: é preciso saber levar. É possível embrulhar os nossos pontos de vista em papel áspero e com espinhos, revelando indiferença aos sentimentos alheios. Mas, sem qualquer sacrifício do seu conteúdo, é possível, também, embalá-los em papel suave, que revele consideração pelo outro. 

Esta a nossa regra nº 3: o modo como se fala faz toda a diferença.


V. A regra nº 4

Nós vivemos tempos difíceis. É impossível esconder a sensação de que há espaços na vida brasileira em que o mal venceu. Domínios em que não parecem fazer sentido noções como patriotismo, idealismo ou respeito ao próximo. Mas a história da humanidade demonstra o contrário. O processo civilizatório segue o seu curso como um rio subterrâneo, impulsionado pela energia positiva que vem desde o início dos tempos. Uma história que nos trouxe de um mundo primitivo de aspereza e brutalidade à era dos direitos humanos. É o bem que vence no final. Se não acabou bem, é porque não chegou ao fim. O fato de acontecerem tantas coisas tristes e erradas não nos dispensa de procurarmos agir com integridade e correção. Estes não são valores instrumentais, mas fins em si mesmos. São requisitos para uma vida boa. Portanto, independentemente do que estiver acontecendo à sua volta, faça o melhor papel que puder. A virtude não precisa de plateia, de aplauso ou de reconhecimento. A virtude é a sua própria recompensa. 

Eis a nossa regra nº 4: seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando.

VI. A regra nº 5
Em uma de suas fábulas, Esopo conta a história de um galo que após intensa disputa derrotou o oponente, tornando-se o rei do galinheiro. O galo vencido, dignamente, preparou-se para deixar o terreiro. O vencedor, vaidoso, subiu ao ponto mais alto do telhado e pôs-se a cantar aos ventos a sua vitória. Chamou a atenção de uma águia, que arrebatou-o em vôo rasante, pondo fim ao seu triunfo e à sua vida. E, assim, o galo aparentemente vencido reinou discretamente, por muito tempo. A moral dessa história, como próprio das fábulas, é bem simples: devemos ser altivos na derrota e humildes na vitória. Humildade não significa pedir licença para viver a própria vida, mas tão-somente abster-se de se exibir e de ostentar. Ao lado da humildade, há outra virtude que eleva o espírito e traz felicidade: é a gratidão. Mas atenção, a gratidão é presa fácil do tempo: tem memória curta (Benjamin Constant) e envelhece depressa (Aristóteles). Portanto, nessa matéria, sejam rápidos no gatilho. Agradecer, de coração, enriquece quem oferece e quem recebe.

Em quase todos os meus discursos de formatura, desde que a vida começou a me oferecer este presente, eu incluo a passagem que se segue, e que é pertinente aqui. "As coisas não caem do céu. É preciso ir buscá-las. Correr atrás, mergulhar fundo, voar alto. Muitas vezes, será necessário voltar ao ponto de partida e começar tudo de novo. As coisas, eu repito, não caem do céu. Mas quando, após haverem empenhado cérebro, nervos e coração, chegarem à vitória final, saboreiem o sucesso gota a gota. Sem medo, sem culpa e em paz. É uma delícia. Sem esquecer, no entanto, que ninguém é bom demais. Que ninguém é bom sozinho. E que, no fundo no fundo, por paradoxal que pareça, as coisas caem mesmo é do céu, e é preciso agradecer".

Esta a nossa regra nº 5: ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.

VII. Conclusão

Eis então as cláusulas do nosso pacto, nosso pequeno manual de instruções:
1. Nunca forme uma opinião sem ouvir os dois lados;
2. A verdade não tem dono;
3. O modo como se fala faz toda a diferença;
4. Seja bom e correto mesmo quando ninguém estiver olhando;
5. Ninguém é bom demais, ninguém é bom sozinho e é preciso agradecer.
Aqui nos despedimos. Quando meu filho caçula tinha 15 anos e foi passar um semestre em um colégio interno fora, como parte do seu aprendizado de vida, eu dei a ele alguns conselhos. Pai gosta de dar conselho. E como vocês são meus filhos espirituais, peço licença aos pais de vocês para repassá-los textualmente, a cada um, com toda a energia positiva do meu afeto:
(i) Fique vivo;
(ii) Fique inteiro;
(iii) Seja bom-caráter;
(iv) Seja educado; e
(v) Aproveite a vida, com alegria e leveza.
Vão em paz. Sejam abençoados. Façam o mundo melhor. E lembrem-se da advertência inspirada de Disraeli: "A vida é muito curta para ser pequena".


 

quinta-feira, 12 de março de 2015

Ingenuidade Coletiva

Um rápido passeio pelo que se escreve nos tempos atuais e vc fica logo preocupado. Vc não sabe se é ingenuidade ou má fé, ou se é só desejo de não acordar do pesadelo.
As leituras são tão interessantes qto loucas, o que vale a reflexão.
Vejamos uma: "Movimento de elite".
Como supor que uma desaprovação já próxima de 80% (alguns já dizem até mais) pode ser tratada como "movimento de elite"? O melhor comparativo que fiz foi com torcida de um time muito popular, vc tende a classifica-la por uma face, "só pobre, só favelado, só bandido...", quando se sabe que ela é formada por gente de todas as classes sociais, de todos os níveis culturais, com a única diferença em sua forma de manifestar amor por seu time. Não dá pra negar o óbvio, por exemplo, dizer que só tem gente incomodada com a ascensão das classes mais pobres me soa como deboche. 
Alguns tentarão desqualificar dizendo que pesquisas são manipuladas pela grande mídia, mas esquecem que nas ruas o descontentamento é geral.
Por falar em mídia, ela é a grande vilã da história, pq um grupo diz que ela apóia tudo que está ai, outro grupo afirma que ela que prepara o golpe. Complicado, talvez seja só imprensa ruim mesmo, talvez a imprensa tente sobreviver no fio da navalha onde os movimentos em onda te jogam em todas as direções.
Outro argumento é aquele velho "o sujo falando do mal lavado", ou seja, vc tem atitudes individuais de ética duvidosa que te proíbem de se posicionar, manifestar ou o que for, o legal dessa visão é enxergar pureza em líderes políticos que dizem com todas as letras que em eleição se faz o diabo pra ganhar (e fez).
Voltando a analogia da grande torcida, evidentemente isto vale para analisar o outro lado, afinal, a defesa vem de todos os lados, inclusive de gente que tb compõe a tal elite (talvez com a diferença que não chegou lá como fruto de seu trabalho mas, como diz a piada, como furto de seu trabalho).
Os dois lados tem gente do bem e do mal, tem gente com boa e má fé, mas muitos ainda insistem em dividir o Brasil, só que se esquecem (ou fingem esquecer) que na maioria vencedora da eleição tem gente que não votou num projeto, que não votou por convicção política e sim levando em conta o seu universo particular. Ou não? Tão volúvel foi esse voto, que poucos meses depois já engrossa a estatística dos insatisfeitos.
Não existe um lado puro e um lado podre, as pessoas tem seu próprio entendimento de mundo e suas razões, seja de que lado está.
Ai vejo como mal caratismo dizer que quem se manifesta pela saída da presidente seja adepto do golpe, pior, a volta dos militares.
Outra das ironias é que ninguém falava em golpe na época do Collor, que ninguém pregava o diálogo, etc. E ele caiu por uma Elba (alguém lembra disto?). E ironia das ironias, para acabar de vez com qualquer visão ingenua do poder, o líder dos cara pintadas hoje é pego no mesmo saco que o Collor, tb aliado de última hora do Lula que foi execrado numa campanha difamatória.
Convenhamos, pressupor pureza de caráter é demais, é não estar atento à história, ao mundo real que nos cerca.
Indo além, poucos tem esta ingenuidade, nos falta de fato uma liderança acima do bem e do mal, mas daí a aceitar ser roubado de maneira tão escrachada, sustentar esta roubalheira e, ainda por cima, ver o governo dispensar favores aos nossos vizinhos (próximos e bem distantes) não dá, ou em nome de sei lá o que devo aceitar tudo isto quieto? 
"Melhor o diabo do que manter o que está ai".
É algo a se pensar.
E indo mais fundo na ingenuidade que toma conta de certos setores, um partido que historicamente esteve contra o banqueiros e empreiteiras, de maneira tão incisiva e convicta, agora é sócio dos mesmos grupos e, os mesmos cidadãos que compartilhavam a velha ideologia, agora mudam de lado defendendo a parceria... Interessante, não?
Podemos ir mais fundo, pq não só era contra empreiteiras, bancos mas, muitas vezes, até contra o próprio Brasil. Ou ninguém viu o Lula dizer que muitas vezes agiu politicamente, até mentindo, para obter vantagens? Que plantou discórdia e desgraças para beneficio próprio? Não, tamanha ingenuidade, não...
A questão principal é de vergonha alheia, pq é natural que fiquemos constrangidos com atos equivocados de quem gostamos e apoiamos. A grande ética é saber reconhecer o erro, saber se posicionar, sem compactuar com desvios de caráter, pq nada, absolutamente nada justifica o erro.
Pouco acima falei dos que argumentavam que se perde a razão de falar contra quando seus atos individuais te desqualificam, pois é, a partir do momento que vc acha que roubar é natural, vc já perde a razão, pouco importa se faz parte da cultura, do histórico da nação, é errado e pronto.
Bonito é falar dos outros países, de como agem, de como se punem, de como se tem a decência de renunciar à cargos e até a própria vida, quando o discurso muda quando se fala do próprio país.
Duas questões numéricas pra acrescentar: estamos diante do maior roubo em escala mundial de um país democrático. Se cada real roubado fosse convertido em segundo, seriam 30 anos perdidos.
Só não me tirem o direito de me posicionar, isto é democracia. Só não me tirem o direito de me constranger, isto é vergonha na cara.
Acho que fica claro que não sofro de ingenuidade, não vejo pureza escondida no meio de tudo que está ai, mas isto não me dá o direito de aceitar, ficar quieto, não me posicionar.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Cinco lições para a vida

 
Cinco lições para a vida
O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, o garoto perguntou:
- Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco, vovó? Por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e respondeu ao neto:
- Estou escrevendo sobre você, é verdade. Já que é bastante atento e curioso, prestou atenção que estou escrevendo a lápis?
- Sim, por que não usa uma caneta? – perguntou o garoto.
E a avó respondeu:
- Gosto de escrever a lápis, pois o lápis tem algumas qualidades importantes, que podem nos servir de grandes lições. Há cinco qualidades nele. Cinco lições para a vida. Se você aprender com elas, será sempre uma pessoa em paz com o mundo.
PRIMEIRA LIÇÃO: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.
SEGUNDA LIÇÃO: de vez em quando, eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas após isso, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar as dificuldades, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.
TERCEIRA LIÇÃO: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir nossos erros é fundamental para nos manter no caminho da justiça.
QUARTA LIÇÃO: de vez em quando, uma ponta se quebra. O lápis sofre. Precisamos apontá-lo para fazer uma nova ponta. Isso nos ensina que, na vida, algumas perdas são necessárias. Temos que exercer nossa compreensão e aceitação sobre os fatos que não podemos mudar.
QUINTA LIÇÃO: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços. Procure ser consciente de cada ação. Você precisa se orgulhar de cada página que escreveu na história da vida.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Pensadores?

Uma discussão que tem sido frequente nos últimos anos, e põe anos nisto, é de que faltam no Brasil intelectuais, gente que não tenha medo de externar o que pensa, que tenha uma visão diferenciada, ampla e rica sobre as coisas. Uma das definições que me chamaram atenção é que no Brasil todo mundo quer aplauso, aprovação, o que não pode ser expectativa no caso.
A história do Brasil sempre foi rica em mentes brilhantes, que deixaram seus escritos, pensamentos pra mostrar isto. Mas vivemos numa carência, numa época de textos prontos, numa época que se copia e cola com tanta facilidade sem mesmo ter domínio daquilo que se passa à frente.
Época de modismos, de criar textos e dar falsas autorias, etc.
Bom, são os fatos... Mas pq tem sido assim?
Talvez o atentado terrorista em Paris explique, somos cada vez menos receptivos à ideia oposta, ao contraditório. Na defesa do que acreditamos não temos mas pudor de adotar e repetir uma mentira, de agredirmos, ofendermos, de fazer chacotas. Diante de 20 fatos verdadeiros, basta um com pequeno deslize para desqualificar todo resto. Usamos todas as formas possíveis de agressão em nome de NOSSA verdade.
Hoje li que alguém recebeu ameaças de morte só pq postou idéias que desagradaram certo grupo.
Não, não podemos empunhar a bandeira do "Je Suis Charlie" como muitos fizeram, pq simplesmente não somos capazes de lidar com educação diante da exposição de idéias contrárias, somos, todos, contra a liberdade de expressão.
Não tem um dia sequer que vc entre numa rede social e perceba isto. Tivemos a avassaladora experiência da baixaria que tomou o Brasil na eleição onde qualquer coisinha já servia pra execrar pessoas, condenar, ridicularizar.
Em outro texto li o seguinte: "era tão educado que nem parecia ...." Vc pode preencher como quiser o espaço.
Nos tornamos chatos, perseguidores, qualquer coisinha já é motivo de agressão.
Em 2013 tivemos as manifestações. Pq elas terminaram tão cedo? Pq o gigante voltou a adormecer? Os radicais, os violentos, tomaram a frente.
É legal, é bonito aplaudir exemplos, empunhar bandeiras desde que tb sigamos o exemplo.
Ou seja, talvez não haja falta de intelectuais, talvez haja falta de respeito mesmo, de capacidade de ouvir, conversar, moderar. Parece que mover um fio de nossas idéias é como vender a alma pro diabo, quando é só aprendizado.
Vestimos os uniformes, agimos pra agradar e sermos aceitos em grupinhos, perdemos a capacidade de ter idéias próprias, adotamos qualquer modismo, matamos a individualidade em nome do que?
Somos nós os terroristas, estamos do lado errado do cartaz. 
Parece que o mundo insiste em jogar na nossa cara o qto errados estamos, e parece que qto mais apanhamos, mais insistimos no erro.
Pensar que é bom...
Quero sim ter o direito de escrever, de falar a maior asneira, e ser capaz de ouvir com serenidades aqueles que pensam diferente de mim, só assim serei capaz de me tornar melhor, não pq "comprei" uma nova ideia, mas pq fui capaz de reformular a minha.